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Vendas de máquinas agrícolas devem cair 8% em 2026, aponta Abimaq

Vendas de máquinas agrícolas devem encolher 8% em 2026, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Implementos (Abimaq). O recuo projetado combina três forças que pesam diretamente no bolso do produtor: guerra prolongada no Leste Europeu, alta nos custos de produção e juros ainda elevados, fatores que levam agricultores a postergar compras de tratores, colheitadeiras e implementos.

Pressão de custos e juros trava novos investimentos

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A Abimaq avalia que o aumento de preços de aço, componentes importados e frete internacional elevou o valor final das máquinas. Ao mesmo tempo, a taxa básica de juros continua em patamar que encarece linhas de crédito rurais e programas de financiamento. Na prática, o retorno sobre o investimento em mecanização ficou mais longo, e muitos produtores optam por prolongar o uso da frota atual.

O cenário destoa de 2025, quando o setor registrou avanço expressivo puxado pela combinação de margens agrícolas robustas e financiamento subsidiado. Agora, a entidade trabalha com a expectativa de voltar a volumes semelhantes aos de 2023. Segundo especialistas, cada ponto percentual a mais na taxa de financiamento pode adicionar milhares de reais ao custo total de um trator de médio porte, o que explica a cautela nas fazendas.

Guerra afeta insumos e confiança do mercado

A continuidade do conflito entre Rússia e Ucrânia mantém incertas as cadeias globais de aço e fertilizantes, componentes críticos para a indústria de máquinas agrícolas. A volatilidade cambial provocada pelo cenário geopolítico também impacta importações de peças. De acordo com nota técnica da Abimaq, o setor opera com estoques mais altos para evitar rupturas, mas o custo de carregamento desses estoques pressiona o caixa das fabricantes.

Para o produtor, o detalhe que mais chama atenção é a dificuldade de negociar preços e prazos fixos. Concessionárias relatam menor volume de pedidos firmes e aumento de consultas sobre locação de máquinas como solução temporária até que o ambiente econômico seja mais favorável.

O que muda na prática para o produtor

Com o mercado menos aquecido, algumas concessionárias já sinalizam condições comerciais diferenciadas, como manutenção estendida e bônus na troca de equipamentos usados. Mesmo assim, técnicos recomendam avaliar criteriosamente o impacto dos juros na renda da próxima safra antes de fechar negócio.

Na prática, quem precisa ampliar a capacidade de plantio ou colheita pode considerar a compra compartilhada entre vizinhos ou cooperativas, estratégia que dilui custos e mantém acesso a tecnologia atualizada. Outra alternativa é investir em manutenção preventiva rigorosa para evitar paradas inesperadas de máquinas mais antigas, protegendo a produtividade sem elevar o endividamento.

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Crédito da imagem: Globorural.globo Fonte: Globorural.globo

Francisco devruk

Francisco

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