Lavoura Digital

Vaquinha-verde-amarela: risco constante que exige manejo o ano todo

Vaquinha-verde-amarela é o nome popular do besouro Diabrotica speciosa, praga que permanece ativa o ano inteiro, ataca raízes e parte aérea de culturas como batata, soja, milho e trigo e, sem manejo integrado, pode derrubar a produtividade e elevar custos no campo.

Ataque duplo aumenta prejuízos nas lavouras

Publicidade

Presentes em praticamente todas as regiões do Brasil e em boa parte da América do Sul, as larvas do inseto vivem no solo, alimentam-se das raízes e prejudicam a absorção de água e nutrientes. Quando adultas, raspam folhas, flores e até frutos, deixando as plantas mais suscetíveis a doenças. Esse ciclo subterrâneo e aéreo torna o Diabrotica speciosa uma praga agrícola difícil de conter com intervenções pontuais.

O mestre em zoologia João Paulo Nunes lembra que folhas perfuradas, manchas irregulares e coloração mais escura são alguns dos sinais de infestação. O efeito direto é queda de vigor, atraso no desenvolvimento e, consequentemente, menor rendimento na colheita.

Monitoramento contínuo é peça-chave

Ao contrário de insetos com picos sazonais bem definidos, a vaquinha-verde-amarela exige vigilância regular durante todo o ciclo da cultura. Armadilhas, amostragem de solo e inspeção foliar ajudam a detectar populações antes que se tornem críticas. “Sem esse acompanhamento, o produtor só percebe o problema quando o dano já comprometeu a lavoura”, explica Nunes.

Boas práticas culturais também fazem diferença. A rotação de culturas, por exemplo, quebra o ciclo do inseto ao dificultar que larvas e adultos encontrem alimento contínuo no mesmo talhão.

Controle integrado combina defensivos, biológicos e manejo cultural

Não existe solução única para conter a vaquinha-verde-amarela. O controle químico segue importante para reduzir adultos na parte aérea, mas, isoladamente, não atinge as larvas protegidas no solo. Por isso, pesquisadores recomendam:

  • Tratamento de sementes com inseticidas de solo para proteção inicial das raízes;
  • Controle biológico com fungos ou nematoides entomopatogênicos que atacam ovos e larvas;
  • Aplicações direcionadas de inseticidas foliares quando o monitoramento indicar população acima do nível de ação;
  • Rotação de culturas e manejo de restos de plantio para reduzir abrigo e alimento.

Segundo nota técnica da Embrapa, a adoção simultânea dessas práticas pode evitar perdas significativas e reduzir o risco de seleção de resistência.

O ponto que mais chama atenção é a necessidade de planejamento: sem programa de controle integrado ao longo de todo o ano agrícola, a praga se mantém ativa no solo e volta à parte aérea com força, exigindo doses mais altas de defensivos e aumentando o custo de produção.

Para acompanhar outras estratégias de proteção inteligente de cultivos e ficar por dentro das novidades que podem blindar sua lavoura contra pragas, continue navegando em nossa editoria.

Crédito da imagem: Canalrural Fonte: Canalrural

Francisco devruk

Francisco

Transformando visão em realidade através da dedicação, da técnica e do compromisso com a excelência

Bloqueador de Anúncios Ativado!

Por favos desligue o Bloqueador de Anúncios. Nosso blog sobrevive graças aos anúncios exibidos aqui.