USDA mantém soja brasileira em 180 mi t; preços seguem travados
USDA soja brasileira O novo relatório de abril do Departamento de Agricultura dos EUA manteve a produção do Brasil em 180 milhões t para a safra 2025/26 e elevou a estimativa 2024/25 a 172,5 milhões t. Mesmo com um leve corte nos estoques mundiais, o documento reforça cenário de ampla oferta e ajuda a explicar por que os preços internos seguem pressionados e o mercado permanece travado.
Oferta global continua folgada, apesar de ajuste nos estoques
Nos Estados Unidos, a produção foi mantida em 4,262 bilhões de bushels (116 milhões t), com produtividade inalterada em 53 bushels/acre. Os estoques finais norte-americanos ficaram em 350 milhões de bushels (9,53 milhões t), praticamente em linha com as projeções de analistas. No quadro mundial, a colheita 2025/26 passou para 427,41 milhões t, enquanto os estoques caíram para 124,79 milhões t – ainda confortáveis, mas abaixo da leitura anterior e ligeiramente menores que o mercado esperava. Esse detalhe mais positivo não foi suficiente para sustentar cotações na Bolsa de Chicago.
Do lado da demanda, o USDA elevou o esmagamento interno dos EUA a 2,610 bilhões de bushels e reduziu as exportações para 1,540 bilhão. A China, principal compradora, segue projetada para importar 112 milhões t – sinal de estabilidade no consumo asiático.
Para a América do Sul, a Argentina teve a projeção repetida, reforçando o quadro de oferta robusta na região. Dados semelhantes já vinham sendo apresentados por instituições como a Conab, que apontam conforto no abastecimento global.
Produtor brasileiro avança pouco nas vendas e segura soja
No Brasil, a comercialização da safra 2025/26 atingiu 48,1 % do volume esperado, segundo a Safras & Mercado. O ritmo é maior que o de março, mas continua abaixo do registrado há um ano e da média histórica. A venda antecipada, por sua vez, soma apenas 3,9 % da próxima colheita, número considerado tímido diante do histórico de cinco anos.
Esse comportamento reflete três fatores combinados: 1) oscilações em Chicago, influenciadas por incertezas geopolíticas e pelo petróleo; 2) desvalorização recente do dólar frente ao real, que reduz a paridade de exportação; 3) margens apertadas no custo de produção. Na prática, isso significa que tanto produtores quanto tradings preferem esperar sinais mais claros antes de fechar novos lotes, o que limita a liquidez interna.
Para o gestor agrícola, o ponto que mais chama atenção é a dificuldade de capturar prêmios mesmo em regiões próximas aos portos. O quadro de oferta elevada, somado à falta de surpresa no relatório do USDA, retira força dos fundos de investimento e mantém o mercado lateralizado.
O que monitorar nas próximas semanas
Atenção agora se volta para os relatórios de área plantada nos EUA e para o câmbio no Brasil. Qualquer revisão nos hectares norte-americanos ou mudança brusca no dólar pode destravar negócios represados. Além disso, sinais climáticos que afetem o potencial produtivo da safra 2025/26 serão determinantes para reprecificar prêmios de exportação e influenciar a decisão de venda do produtor brasileiro.
Na prática, a recomendação de consultores é acompanhar de perto custos de armazenagem, pois o alongamento das vendas aumenta despesas logísticas e risco de qualidade nos silos. Ajustes táticos, como fixar parcelas menores em momentos de alta, podem preservar margem sem abrir mão da flexibilidade.
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Crédito da imagem: Canalrural Fonte: Canalrural
