Tomada de força elétrica da Zuidberg mira tratores compactos
Tomada de força elétrica é a nova aposta da holandesa Zuidberg para manter tratores e portadores de implementos totalmente elétricos compatíveis com ferramentas convencionais, sem abrir mão de desempenho nem de silêncio em campo.
Por que o novo PTO elétrico chama atenção agora
A empresa apresentou o segundo protótipo da solução em novembro, na Agritechnica, reforçando a tendência de eletrificação dos tratores compactos. Diferentemente dos sistemas mecânicos tradicionais, o PTO pode ser alimentado diretamente pelo pacote de baterias ou por um gerador acoplado ao motor a combustão, solução que garante flexibilidade para frotas híbridas em transição.
Dupla redução derruba de 6.000 rpm para 1.000 rpm
O desenvolvimento exigiu um doble gear stage – duas etapas de engrenagem – para converter a rotação elevada do motor elétrico (cerca de 6.000 rpm) nos 1.000 rpm exigidos pela maioria dos implementos agrícolas. Segundo a fabricante, o ajuste fino dessa transmissão foi o principal desafio técnico do projeto.
Outro ponto crítico foi conter o ruído. Em máquinas elétricas, o som do conjunto de engrenagens fica mais evidente, por isso a engenharia dedicou esforços extras à escolha de materiais e ao desenho dos dentes para minimizar vibração.
Mercado-alvo: tratores compactos e OEMs
No curto prazo, a Zuidberg vê maior demanda entre fabricantes de tratores compactos totalmente elétricos – nicho que mais cresce na Europa e ganha corpo no Brasil. A estratégia é fornecer o sistema primeiro às montadoras (OEMs), que o instalarão de fábrica. Negociações já estão em andamento, mas o cronograma de homologação ainda depende dos ciclos de projeto das montadoras.
Retrofit e bombas hidráulicas na linha de produção
Depois de firmar contratos com OEMs, a companhia pretende lançar um kit de retrofit para que produtores instalem o PTO elétrico em campo, sem necessidade de enviar o trator à fábrica. Embora o conceito já esteja delineado, o desenvolvimento prático ainda não começou. Paralelamente, um conjunto de tração elétrica para bombas hidráulicas está em estágio inicial de testes, ampliando o portfólio de eletrificação de sistemas auxiliares.
O que muda na rotina do produtor
Na prática, a inovação permite que um trator elétrico acione sem adaptações plantadeiras, pulverizadores ou roçadeiras projetados para TDF mecânica padrão. Isso reduz o custo de troca de frota, acelera o retorno sobre o investimento em máquinas limpas e mantém a operação produtiva enquanto o mercado de implementos 100% elétricos amadurece.
Estudos da Embrapa indicam que o uso de energia elétrica em tarefas de tração pode cortar o gasto com combustível em até 70% e abrir espaço para estratégias de carregamento noturno com tarifas reduzidas, reforçando o apelo econômico da solução.
A eletrificação dos eixos auxiliares reforça uma tendência que já vinha avançando no campo: sistemas mais eficientes, silenciosos e conectados. Para acompanhar outras novidades em automação, inteligência artificial e digitalização agrícola, visite nossa editoria de automação agrícola e IA.
Crédito da imagem: Futurefarming Fonte: Futurefarming
