Tarifas sobre fertilizantes elevam custos e unem produtores nos EUA
Tarifas sobre fertilizantes estão no centro de uma mobilização inédita de agricultores norte-americanos: após arcar com US$ 6,9 bilhões em custos adicionais desde 2021, o campo pressiona Washington para derrubar as taxas que encarecem o fosfato e ameaçam o plantio de 2026.
Impacto bilionário no bolso do produtor
Em abril de 2021, o Departamento de Comércio impôs direitos compensatórios ao fosfato importado do Marrocos e da Rússia. A alíquota inicial sobre a estatal marroquina OCP foi de 19,97%, enquanto PhosAgro e EuroChem, da Rússia, receberam tarifas de 9,19% e 47,05%. Segundo cálculo do USDA, o fertilizante representa 38% dos custos operacionais do trigo; qualquer variação de preço portanto repercute diretamente na margem do produtor e, no fim da cadeia, no preço ao consumidor.
Estudo do Agriculture and Food Policy Center da Texas A&M mostra que o diamônio fosfatado (DAP) ficou 28,6% mais caro no período em que a tarifa permaneceu próxima de 20%. O desembolso extra somou US$ 6,9 bilhões entre 2021 e 2025 para culturas de grãos — um fardo de quase US$ 1 bilhão apenas para o trigo, de acordo com a Associação Nacional de Produtores de Trigo (NAWG).
Mesmo com seis fabricantes domésticos, a produção dos EUA depende fortemente de Nutrien e Mosaic. Em janeiro, o Departamento de Justiça abriu investigação sobre possível conluio de preços, e o secretário-adjunto de Agricultura, Stephen Vaden, classificou o mercado como “duopólio”.
Tensão no Estreito de Ormuz agrava risco de abastecimento
A crise de oferta ganhou novo capítulo com a escalada militar entre Estados Unidos e Irã. Teerã ameaça fechar o Estreito de Ormuz, por onde trafega parte relevante do enxofre usado para produzir DAP e MAP. O preço do mineral triplicou em 2025. Caso a rota seja bloqueada, até 25% dos agricultores norte-americanos podem ficar sem fertilizante suficiente para o plantio de primavera — janela que vai de março a maio.
O quadro é ainda mais sensível porque o Marrocos, detentor de 70% das reservas globais de rocha fosfática, perdeu participação no mercado norte-americano justamente por causa das tarifas. Antes das taxas, 15% do fosfato consumido nos EUA vinham do país africano.
Pressão política cresce por revisão imediata das tarifas
O mecanismo de revisão quinquenal previsto pela Comissão de Comércio Internacional (ITC) foi aberto em março. Cerca de 50 associações estaduais e oito entidades nacionais — entre elas as organizações de milho e soja — enviaram carta ao secretário de Comércio, Howard Lutnick, pedindo a revogação total das tarifas. O prazo oficial para comentários se encerra em 8 de maio.
A Nutrien, responsável por 20% do fosfato nacional, já declarou publicamente que a retirada das tarifas “seria um passo construtivo” em apoio aos produtores. Do lado político, o senador Roger Marshall e o deputado Kevin Mann haviam alertado a Casa Branca, em 2022, sobre o risco de dependência de poucas fontes internas de oferta.
Para a NAWG, que oficializou o pedido de anulação em 1.º de abril, “a carga financeira tornou-se insustentável”. Os estados mais afetados são Dakota do Norte, Kansas e Montana, com sobrecustos de US$ 202 milhões, US$ 141 milhões e US$ 120 milhões, respectivamente.
Enquanto Washington decide, produtores correm contra o relógio: quem ainda não garantiu insumos para 2026 enfrenta preços elevados, incerteza logística e a possibilidade de mais oscilações no dólar e no barril de petróleo caso o Estreito de Ormuz seja interrompido. Na prática, a safra dependerá de um acordo político que devolva competitividade ao fosfato importado e reduza o peso da adubação na planilha de custos.
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Crédito da imagem: Forbes Fonte: Forbes
