Suzano vê alta global no preço do papel higiênico após guerra
Alta global no preço do papel higiênico deve ganhar força nos próximos meses, segundo alerta da Suzano divulgado nesta sexta-feira (10). A fabricante brasileira, maior produtora mundial de celulose de eucalipto, afirma que o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã elevou o petróleo, encareceu fretes e pressionou produtos químicos essenciais, criando um cenário inflacionário para papel higiênico, lenços, fraldas e embalagens.
Logística e insumos: onde o custo mais pesa
Paulo Leime, diretor-geral da Suzano para Europa, Oriente Médio e África, detalhou que o choque bélico disparou tarifas de transporte marítimo, rodoviário e ferroviário, além de afetar soda cáustica e ácido sulfúrico, reagentes usados na fabricação da celulose. “Com certeza haverá aumento de custos em toda a cadeia de valor”, disse o executivo à Reuters.
A empresa, avaliada em mais de US$ 60 bilhões (R$ 301,3 bilhões), já redireciona carregamentos para o Oriente Médio pelo Mediterrâneo, cruza o Canal de Suez e conclui o trajeto com frete rodoviário “caro” via Arábia Saudita e Jordânia. Embora as plantas industriais da companhia sejam autossuficientes em energia, o gasto com combustível nos percursos logísticos subiu de forma expressiva.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que transporte e energia respondem por cerca de 35 % do custo total da indústria de papel e celulose, índice que tende a aumentar enquanto o barril de petróleo permanecer em alta (IBGE).
Efeitos em cascata para a cadeia de celulose
A Suzano fornece matéria-prima para marcas globais como Cottonelle, Kleenex e Huggies. Qualquer reajuste na celulose reverbera nos preços do produto acabado e comprime margens de distribuidores e varejistas. Leime não especificou quando os aumentos chegarão às prateleiras, mas indicou que, se a crise persistir, “a inflação deverá retornar a vários produtos, não apenas papel e lenços”.
No Oriente Médio, onde detém participação relevante nos mercados de Dubai, Abu Dhabi, Barein e Catar, a companhia relata “impacto significativo” nas vendas. As ações da Suzano recuaram mais de 15 % desde o início do conflito, refletindo o sentimento de risco em um setor já reconhecido como o quarto mais intensivo em energia da indústria mundial.
Para produtores florestais e gestores que negociam com a Suzano, o sinal é claro: custos de insumos e transporte devem permanecer voláteis, exigindo revisão de contratos, estoques e prazos de entrega. Na prática, quem depende de celulose para embalar ou produzir itens de consumo diário terá de calibrar preço final ou absorver parte da pressão.
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Crédito da imagem: Forbes Fonte: Forbes
