Semente de juçara sobe 23% e reforça renda de coletores em SP
Semente de juçara agora vale R$ 15 o quilo em todo o estado de São Paulo, após reajuste de 23% anunciado pela Fundação Florestal. O novo preço, praticamente o dobro do praticado quando o programa começou em 2021, busca atrair mais coletores, fortalecer a cadeia de restauração da Mata Atlântica e ampliar a renda de comunidades rurais.
Reajuste mira expansão da coleta sustentável
Ligada à Secretaria de Meio Ambiente paulista, a Fundação Florestal publicou nesta semana o edital que define o novo valor de compra das sementes da palmeira-juçara (Euterpe edulis). O reajuste considera a inflação do período e o avanço da demanda por material de qualidade para reflorestamento. Na prática, produtores e associações que participam do programa passam a receber R$ 15/kg, 23% acima dos R$ 12,20 pagos em 2025.
Desde 2021, cerca de 90 t de sementes já foram distribuídas em Unidades de Conservação estaduais, cobrindo 1,8 mil ha por meio de semeadura direta. Monitoramentos mostram 87,7% de sobrevivência das mudas, indicador que sustenta a decisão de ampliar o investimento. “Queremos escalar a recomposição da Mata Atlântica com base em manejo sustentável, não em extração predatória”, justificou a fundação ao divulgar o edital.
Impacto direto na renda de 350 famílias e no ecossistema
A cadeia da juçara envolve hoje cerca de 350 famílias, que encontram na coleta das sementes uma alternativa legal e lucrativa ao corte ilegal de palmito. Como a prima do açaí não rebrota após o corte, o antigo modelo extrativista levou a espécie a forte declínio. Ao remunerar a semente, o programa evita o abate da palmeira, garante dispersão natural de frutos por aves e mamíferos e acelera a recuperação de áreas degradadas.
Para o produtor ou gestor que atua em projetos de restauração, o aumento de preço sinaliza maior oferta de sementes certificadas e pode reduzir prazos de plantio, já que a coleta é concentrada entre março e maio. Além disso, a juçara cria sombreamento adequado para espécies de crescimento lento, o que eleva a diversidade do talhão e atrai fauna que auxilia no controle biológico.
Segundo pesquisadores da Embrapa, a palmeira apresenta elevada capacidade de adaptação a diferentes microclimas da Mata Atlântica, reforçando seu papel como espécie-chave na sucessão florestal.
O que muda na prática para novos interessados
Quem pretende ingressar na atividade deve ficar atento às exigências de licenciamento, aos prazos do edital e aos requisitos de qualidade das sementes. O material precisa ser limpo, fresco e acondicionado em sacos identificados para garantir germinação acima de 80%. O pagamento ocorre após verificação técnica por equipe da Fundação Florestal.
Na ponta de mercado, viveiristas e projetos de compensação ambiental tendem a encontrar oferta mais estável e profissional, o que pode reduzir os custos logísticos de compra fracionada ao longo do ano. Já cooperativas rurais podem usar o novo valor como argumento para mobilizar associados e diversificar fontes de renda sem abrir mão da conservação.
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Crédito da imagem: Globorural.globo Fonte: Globorural.globo
