Semeato reage à retração e aposta em plantio direto para crescer
Semeato, referência mundial em plantio direto, traça novas rotas para voltar a crescer depois de cinco anos de retração no mercado de máquinas agrícolas e de uma recuperação judicial que acumula cerca de R$ 1,5 bilhão em dívidas. A empresa gaúcha lança equipamentos inéditos, revê processos internos e mira exportações, movimento que pode destravar investimentos e ampliar a oferta de tecnologias de semeadura para produtores de todos os portes.
Recuperação judicial pressiona, mas não freia novos projetos
Homologada em agosto de 2023, a recuperação judicial da Semeato envolve acordos relevantes, como o parcelamento de aproximadamente R$ 700 milhões com a União até 2026. O passivo total, segundo relatório de janeiro, chega perto de R$ 1,5 bilhão. Para ajustar o caixa, o quadro de funcionários caiu para 600 pessoas e a companhia renegocia prazos com credores enquanto tenta preservar a capacidade produtiva.
A vice-presidente Carolina Rossato atribui a queda de receita ao câmbio volátil, aos juros elevados e ao preço mais baixo da soja, fatores que seguram a compra de máquinas. “A demanda está represada”, afirma. A executiva lembra que a guerra no Leste Europeu encareceu insumos e limitou exportações para países como Ucrânia, um dos principais destinos das 11 mil plantadeiras já vendidas ao exterior.
Plantio direto continua no centro da estratégia
A fabricante mantém o foco exclusivo em implementos para plantio direto, técnica que preserva a palhada, reduz erosão e melhora a saúde do solo. Entre os quatro lançamentos exibidos na Expodireto Cotrijal, destacam-se:
- Rodado automático que muda do modo trabalho para transporte em 90 segundos sem o operador deixar a cabine;
- Plantadeira com motor elétrico de tecnologia alemã, desenvolvida para reduzir consumo de diesel e manutenção;
- Versões de preço acessível voltadas a pequenos produtores, tentativa de ampliar participação fora da Região Sul.
“Toda a engenharia é feita internamente. Compomos fundição e usinagem próprias, o que nos dá agilidade para atualizar modelos e reagir rápido ao mercado”, diz Rossato. Segundo ela, a verticalização permite oferecer preços “nunca antes praticados” para fechar negócios em feiras e abrir frentes de comercialização em estados ainda pouco atendidos.
Exportação e novos mercados aliviam dependência regional
Embora 85 % da receita ainda venha do Sul, a Semeato pretende reforçar vendas em São Paulo, Mato Grosso, Goiás e Bahia. Na área internacional, a meta é retomar embarques para Venezuela e Leste Europeu assim que o cenário geopolítico permitir, além de consolidar presença em Paraguai, Argentina, Uruguai, Chile e Bolívia, que já respondem por 15 % do faturamento.
A expansão externa é tratada como pilar para diluir riscos cambiais e compensar a desaceleração doméstica. A empresa aposta na reputação de pioneira desde os anos 1970, quando integrou o Projeto Meta — parceria com Monsanto (hoje Bayer) e Adubos Trevo (hoje Yara) — para introduzir o plantio direto no Brasil.
Apesar dos desafios, a combinação de novos produtos, renegociação de dívidas e diversificação de mercados indica um ciclo de cautela, porém com sinal de retomada. Para acompanhar mais análises sobre produtividade, eficiência de custos e caminhos econômicos para o agro, visite nossa editoria de produtividade e economia no campo.
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