Segunda safra de milho impulsiona a economia de MT em 2024
Segunda safra de milho virou peça-chave para manter a rentabilidade do produtor e aquecer a economia de Mato Grosso. Com mais de 7 milhões de hectares cultivados em 2024, o cereal passou do status de “safrinha” para motor que gera emprego, atrai indústrias e sustenta novas fontes de energia renovável no estado.
Volume recorde garante fôlego financeiro às fazendas
Segundo a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), a produção na segunda safra dilui custos fixos das propriedades ao possibilitar duas colheitas na mesma área. “A receita extra compensa o frete longo até os portos e mantém a margem mesmo em anos de soja apertada”, explica o vice-presidente Luiz Pedro Bier.
Ao circular pela economia local, essa renda retorna em forma de tributos, salários e compras de insumos na própria região. O resultado é um ciclo de crescimento que fortalece municípios produtores e amplia a arrecadação estadual.
Efeito cascata: etanol, proteína animal e mais empregos
O milho colhido entre maio e agosto abastece hoje um parque de usinas que transforma o grão em etanol hidratado e anidro. A fermentação gera ainda DDGs – subprodutos ricos em proteína – que reduzem o custo da ração de aves, suínos e bovinos confinados, criando valor interno antes mesmo da exportação.
Diego Bertuol, diretor administrativo da Aprosoja MT, lembra que a chamada “revolução da safrinha” colocou o estado na liderança nacional do cultivo, mas só foi possível graças a tecnologia, gestão de risco e janelas de plantio bem definidas. “Não é modelo simples: exige investimento pesado em sementes de ciclo curto, monitoramento climático e logística para escoar um volume crescente”, frisa.
Tendência global reforça oportunidades locais
Estimativa do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (IMEA) projeta 1,29 bilhão t de milho para a safra mundial 2025/26, avanço de 5,3 % sobre o ciclo anterior. O cenário confirma a demanda firme por grãos, energia e proteína animal – combinação que beneficia regiões com alta produtividade, como MT. Dados da Conab indicam que o estado responde por mais de um terço do milho brasileiro, reforçando sua influência sobre preços e abastecimento interno.
Na prática, isso significa maior previsibilidade de receita para o produtor, expansão de plantas industriais no interior e diversificação da matriz energética brasileira com combustível de menor pegada de carbono. “Valorizar o milho é entender que ele vai além do grão: é base da segurança alimentar, da transição energética e do futuro econômico de Mato Grosso”, conclui Bertuol.
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Crédito da imagem: Maissoja Fonte: Maissoja
