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Resistência do leiteiro a herbicidas: alerta e manejo no campo

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Resistência do leiteiro a herbicidas ganha novo capítulo com a confirmação, no Paraguai, de populações de Euphorbia heterophylla tolerantes a três diferentes mecanismos de ação, incluindo o onipresente glifosato. A notícia acende sinal amarelo para produtores de soja e milho no Brasil, onde o fluxo de máquinas e sementes com o país vizinho é intenso e pode acelerar a dispersão do problema.

Casos confirmados ampliam o risco regional

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Segundo comunicado técnico do Comitê de Ação à Resistência aos Herbicidas (HRAC-BR), testes em campo identificaram resistência múltipla do leiteiro aos inibidores de ALS (cloransulam-metílico e imazetapir), aos inibidores de PROTOX (fomesafen) e ao inibidor de EPSPS (glifosato). O Paraguai já registrava resistência à ALS, mas agora soma três alvos bioquímicos diferentes na mesma população—a combinação que, na prática, reduz drasticamente o leque de produtos pós-emergentes eficazes.

O alerta não se limita às fronteiras paraguaias. A espécie está disseminada em toda a América do Sul e tem histórico de rápida expansão. No Brasil, já se conhecem biótipos resistentes aos grupos ALS, EPSPS e PROTOX isoladamente. Com colhedoras e plantadeiras circulando entre os dois países, a chegada de sementes contaminadas é questão de tempo se medidas de contenção não forem tomadas.

O que muda na prática da lavoura

Para quem planeja a próxima safra, o principal impacto é a necessidade de um manejo integrado de plantas daninhas (MIPD). O HRAC-BR recomenda:

  • Rotação de herbicidas com mecanismos de ação distintos em pré e pós-emergência;
  • Uso de sementes certificadas e limpeza rigorosa de colhedoras, carretas e semeadoras;
  • Eliminação de plantas sobreviventes antes que produzam sementes;
  • Manutenção de cobertura vegetal nas áreas em pousio para limitar o banco de sementes.

Na prática, isso significa antecipar aplicações de pré-emergentes eficazes, combinar princípios ativos e monitorar talhões após cada tratamento. Estudos da Embrapa mostram que misturas bem posicionadas podem reduzir em até 70 % o rebrote do leiteiro, especialmente quando a planta é controlada antes da quarta folha, estágio em que o potencial de regeneração aumenta.

Custos e produtividade em jogo

Produtores que contiverem a infestação preservam produtividade: levantamentos de safra indicam perdas de até 35 % na soja e 45 % no milho quando o leiteiro escapa ao controle. Em um cenário de margens apertadas, cada aplicação extra de herbicida representa acréscimo direto no custo operacional; portanto, prevenir a multiplicação de biótipos resistentes é financeiramente mais viável do que restaurar a área depois que a resistência se instala.

A confirmação da resistência múltipla reforça que o manejo químico, isoladamente, não basta. Sistemas de rotação de culturas, cobertura verde e monitoramento constante passam a ser peças-chave para proteger a rentabilidade da lavoura. Para acompanhar outras estratégias de proteção inteligente contra plantas daninhas e pragas, visite nossa editoria de proteção inteligente no campo.

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Crédito da imagem: Maissoja Fonte: Maissoja

Francisco devruk

Francisco

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