Resistência do capim-colchão: alerta de 22/04/2026
Resistência do capim-colchão chega a um novo patamar: em 22/04/2026, o Comitê de Ação à Resistência aos Herbicidas (HRAC-BR) confirmou, em Rio Verde (GO), um biótipo de Digitaria nuda capaz de sobreviver ao graminicida haloxifope, um dos inibidores de ACCase mais usados no País. O alerta acende luz vermelha para produtores de soja, milho e arroz, que podem ver o custo de controle disparar e a produtividade cair caso a resistência se espalhe.
Alerta oficial coloca o haloxifope sob pressão
O caso foi validado por pesquisadores da Corteva Agriscience, ADAMA Brasil, Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP) e UPL Brasil. Todos apontaram falha consistente do haloxifope-p-metílico no manejo do capim-colchão na região do sudoeste goiano. Segundo o HRAC, trata-se do primeiro registro nacional de Digitaria nuda resistente ao princípio ativo, o que pode comprometer uma ferramenta-chave no controle de gramíneas de folha estreita.
O haloxifope ganhou espaço justamente por apresentar seletividade adequada e custo competitivo. Agora, a confirmação de resistência obriga o setor a rever programas de manejo, especialmente em milho, cultura com menos opções de herbicidas eficazes contra gramíneas.
Por que a resistência preocupa lavouras de grãos
Espécies do gênero Digitaria já são conhecidas pela agressividade: uma única planta de capim-colchão pode gerar cerca de 150 mil sementes por ciclo, dispersas facilmente pelo vento ou por máquinas agrícolas. O resultado é uma colonização rápida de talhões inteiros, com competição direta por luz, água e nutrientes.
Em cenários sem controle adequado, estudos indicam perdas superiores a 30 % de produtividade em soja, com impacto semelhante em milho e arroz. Como o capim-colchão tem ciclo parecido ao das culturas de verão, ele emerge, cresce e floresce ao mesmo tempo que a lavoura, reduzindo a janela de controle químico.
O que muda no manejo diário do produtor
Para evitar que o problema avance, o HRAC sugere um pacote de medidas integradas:
- Rotação ou mistura de herbicidas com diferentes mecanismos de ação, reduzindo a pressão seletiva sobre o haloxifope.
- Limpeza criteriosa de colhedoras, plantadeiras e caminhões, a fim de impedir que sementes resistentes migrem entre talhões ou fazendas.
- Uso de sementes certificadas, livres de contaminação por Digitaria nuda.
- Monitoramento frequente da área, permitindo intervenção precoce antes da emissão de sementes.
Segundo a Embrapa, estratégias físicas, como roçada seletiva e cultivos de cobertura, também ajudam a suprimir o banco de sementes no solo, diminuindo a pressão de reinfestação. O comunicado oficial do HRAC detalha doses, intervalos e combinações recomendadas para cada cenário.
Com a confirmação do primeiro foco, especialistas alertam que o avanço pode ser rápido se o manejo não mudar imediatamente. Para acompanhar outras soluções de proteção inteligente do campo e reduzir o risco de resistência, continue navegando em nossa editoria.
Crédito da imagem: Maissoja Fonte: Maissoja
