Proteína vegetal avança em bebidas enquanto alt meat recua
Proteína vegetal ganhou terreno nas bebidas prontas nos Estados Unidos em 2025, com alta de 12% nas vendas e impulso direto da busca por produtos de alto teor proteico, segundo o novo relatório do Good Food Institute (GFI). O levantamento contrasta com a queda de 10% no faturamento de carnes à base de plantas, sinalizando mudanças rápidas de rota para produtores de ingredientes, cooperativas de ervilha e processadores de soja que abastecem essa cadeia.
Varejo perde força em alt meat, mas bebidas e iogurtes seguram o plant-based
Os dados do GFI — elaborados a partir do painel de mercado da SPINS — mostram que o varejo norte-americano registrou retração de US$ 1,0 bilhão para carnes e frutos-do-mar vegetais (-10% em valor, ‑11% em unidades) ao longo de 2025. Leites vegetais também cederam, mas apenas 2%, fechando em US$ 2,7 bilhões.
Em sentido contrário, categorias com maior apelo proteico avançaram: iogurtes plant-based subiram 7%; líquidos e pós proteicos, 2%; e cremes vegetais para café, outros 2%. O ponto que mais chama atenção, porém, é a escalada dos ready-to-drink com proteína vegetal, onde a combinação de conveniência e 10 g a 20 g de proteína por porção tem atraído consumidores migrando de whey bovino para alternativas de ervilha.
Foodservice confirma tendência: leite vegetal cresce 16%
Nos canais de alimentação fora do lar, a sangria das carnes vegetais foi um pouco menor (-7% em receita; ‑5% em volume), totalizando US$ 291 milhões. Por outro lado, o leite vegetal serviu de destaque: vendas saltaram 16%, chegando a US$ 288 milhões e já respondem por 13% do volume total de leite vendido por distribuidores foodservice. A retirada das sobretaxas para opções sem origem animal em grandes redes de cafeterias, iniciada no fim de 2024, ajudou a acelerar a curva.
Cremes vegetais para café mantiveram o ritmo, avançando 4% em valor, somando US$ 189 milhões. Itens como análogos de porco, nuggets de “frango” e almôndegas à base de plantas ainda mostraram fôlego em nichos como educação e hospitais, mas sem compensar o recuo do portfólio principal.
Investimentos se deslocam para a Europa e miram funcionalidade
O capital privado global dedicado a empresas plant-based cresceu de US$ 342 milhões (2024) para US$ 450 milhões (2025), longe dos picos de 2020-2022, mas com um detalhe importante: 48% do aporte (US$ 216 milhões) ficou na Europa, apoiado por linhas do Banco Europeu de Investimento. A América do Norte captou US$ 181 milhões, cenário que o GFI atribui ao corte de 25% nas novas bolsas da National Science Foundation durante a administração Trump.
A consolidação também apertou: ao menos 19 empresas foram adquiridas em 2025. Os exemplos incluem a compra da Daring Foods pela australiana v2food e a venda da The Vegetarian Butcher para a Vivera (JBS). Paralelamente, marcas como Beyond Meat entraram no segmento de bebidas proteicas para amortecer a queda no balcão refrigerado.
Por que isso interessa ao agro brasileiro
Para fornecedores de proteína de soja, ervilha e grão-de-bico, a migração de demanda para bebidas e laticínios alternativos abre espaço para contratos de longo prazo centrados em solubilidade, sabor neutro e garantia de lotes non-GMO. Indústrias que conseguirem entregar ingredientes mais funcionais podem capturar margens extras, especialmente em um momento de forte valorização da proteína de soro de leite nos EUA.
A Embrapa destaca que o Brasil já dispõe de cultivares de ervilha adaptadas ao Cerrado, com teor proteico acima de 23%, o que pode reduzir a dependência de importações e atender a formulações mais exigentes (confira estudo da Embrapa).
No curto prazo, a sinalização do GFI é clara: quem atua com proteína vegetal deve ficar atento às especificações voltadas a bebidas ácidas, isotônicas e até versões carbonatadas, nicho que cresce à base de soluções altamente solúveis como a ClearP, citada no relatório. Para seguir as próximas movimentações do mercado e avaliar impactos na rentabilidade da lavoura, acompanhe nossa editoria de lavoura digital e econômica.
Crédito da imagem: Agfundernews Fonte: Agfundernews
