Inovação Agro

Produtores de goiaba descartam safra no RS e acendem alerta

Produtores de goiaba no Rio Grande do Sul vêm jogando fora toneladas da fruta porque, mesmo com a safra abundante, não encontram compradores. O desperdício expõe gargalos de logística e de processamento que encarecem custos, reduzem a renda no campo e reforçam a urgência de soluções para escoar a produção.

Oferta recorde esbarra em gargalo de comercialização

Publicidade

Com clima favorável e manejo adequado, a colheita 2023/24 entregou volumes acima da média histórica nos principais polos frutícolas gaúchos. Porém, a estrutura de classificação, resfriamento e transporte não acompanhou o salto produtivo. Sem câmaras frias suficientes e com poucas agroindústrias habilitadas a processar polpa ou geleia, o fruto maduro perde valor em poucas horas, forçando o descarte nas propriedades.

Segundo associações locais, o custo de produção por hectare subiu 12 % em um ano, enquanto o preço pago ao produtor caiu quase 30 % no pico da safra. O desequilíbrio acendeu o sinal amarelo em cooperativas e prefeituras, que agora buscam linhas de crédito emergenciais para viabilizar miniusinas de processamento.

Perda no campo, preço alto no varejo

O contraste mais doloroso aparece na gôndola. Apesar do excedente, o consumidor chega a pagar R$ 8,00 pelo quilo da goiaba fresca em Porto Alegre. A diferença entre o valor recebido pelo agricultor e o cobrado no varejo se explica pelos sucessivos atravessadores e pelo frete interestadual, já que parte da fruta vendida na capital vem de outros estados com melhor logística.

Para especialistas, a situação confirma que produzir não basta: é preciso garantir canais de venda, armazenamento adequado e contratos prévios com a indústria. As orientações da Embrapa sobre pós-colheita de frutas destacam que resfriar a goiaba imediatamente após a colheita pode estender a vida útil de três para até dez dias, reduzindo perdas e ampliando a janela de negociação.

O que pode mudar na prática

Prefeituras debatem, com o Governo do Estado, linhas de fomento para comprar máquinas de polpa e pasteurizadores móveis, capazes de aproveitar o excedente em poucos minutos após a colheita. Também está em estudo a criação de um entreposto regional de frutas, com leilões eletrônicos, para aproximar produtores de redes atacadistas. Se aprovadas, as medidas podem reduzir o desperdício já na próxima safra.

Para o produtor individual, alternativas emergenciais incluem: diversificar canais (feiras, cestas agroecológicas), firmar contratos antecipados com suqueiras artesanais e investir em pequenas câmaras resfriadas compartilhadas entre vizinhos.

Desperdício em plena abundância reforça a mensagem: sem planejamento logístico e acesso a mercado, produtividade vira prejuízo. Para acompanhar outras estratégias que conectam eficiência de custos e rentabilidade, visite nossa editoria de lavoura digital e econômica e fique por dentro das próximas soluções.

Crédito da imagem: Portalagrofamiliardobrasil Fonte: Portalagrofamiliardobrasil

Francisco devruk

Francisco

Transformando visão em realidade através da dedicação, da técnica e do compromisso com a excelência

Bloqueador de Anúncios Ativado!

Por favos desligue o Bloqueador de Anúncios. Nosso blog sobrevive graças aos anúncios exibidos aqui.