Produção de batata em Goiás avança 3,1% em 2026, diz Seapa
Produção de batata em Goiás ganhará novo fôlego em 2026: a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) projeta alta de 3,1% sobre a safra anterior, chegando a 264,2 mil toneladas. O resultado consolida o estado entre os principais polos do tubérculo no país e sinaliza recuperação do valor bruto da produção, que deve voltar a R$ 771,4 milhões depois do recuo de 2025. Para o produtor, o avanço significa mais escala, maior liquidez e ambiente favorável a investimentos em mecanização e irrigação.
Safra de inverno sustenta ritmo acima da média nacional
O calendário goiano é ancorado na terceira safra — o chamado ciclo de inverno — plantada entre abril e julho e colhida de julho a outubro. Clima mais ameno e menor umidade reduzem a pressão de doenças fúngicas, permitindo rendimento médio de 41,9 t/ha. Entre 2020 e 2025, esse modelo levou a aumentos de 31,9% na produção e 29,8% na área colhida, desempenho muito superior ao crescimento brasileiro de 12,1% e 4,2%, respectivamente.
Para o secretário Ademar Leal, o ponto-chave é a modernização da lavoura. “Mecanização, cultivares de alto desempenho e planejamento produtivo reduziram a variabilidade típica do mercado e seguraram a produtividade mesmo quando a área não avançou”, afirmou.
Cristalina domina o volume; Água Fria tem a melhor produtividade
Dados da Produção Agrícola Municipal (IBGE) mostram que Cristalina concentrou 51,3% da colheita estadual em 2024, com 137,2 mil toneladas distribuídas em 3 mil hectares. Água Fria de Goiás, por sua vez, liderou em eficiência, atingindo 46,7 t/ha. Já Campo Alegre de Goiás registrou o maior salto anual, com aumento de 115,8% na comparação com 2023 — sinal de que novos polos podem emergir conforme a infraestrutura de irrigação e o acesso a crédito avançam.
VBP volta a subir e abre espaço para agregação de valor
Depois de cair para R$ 538,9 milhões em 2025 — reflexo de preços mais baixos —, o Valor Bruto da Produção deve reagir a R$ 771,4 milhões em 2026, impulsionado tanto pelo volume maior quanto pela expectativa de preços mais firmes. Em 2024, o VBP havia batido recorde de R$ 1,3 bilhão. O movimento reforça a importância de estratégias para reduzir a dependência de importados processados e ampliar a produção local de batata pré-frita, chips e outros derivados.
No comércio exterior, o destaque segue com a batata-doce: em 2024, o estado embarcou 211,4 t para os Países Baixos, somando US$ 264,9 mil. Em 2025, produtos preparados e conservados atingiram 7,5 t e US$ 54,8 mil, com Estados Unidos, Canadá e Reino Unido como principais destinos, indicando oportunidades para diversificação de mercados.
Tendência de mecanização e gestão de risco
Especialistas apontam que o cenário de expansão abre caminho para tecnologias de irrigação de precisão, sensores de solo e manejo integrado de pragas que reduzam custos e assegurem regularidade de oferta. Segundo a Embrapa Hortaliças, práticas como rotação de cultivos e uso de cultivares resistentes ao estresse hídrico podem elevar ainda mais o rendimento por hectare, mantendo a qualidade exigida pela indústria de processamento.
Com a projeção de crescimento e retomada de preços, o produtor goiano tem espaço para planejar contratos de fornecimento, avaliar upgrade de maquinário e proteger margem contra oscilações de mercado. Para acompanhar mais análises sobre eficiência econômica no cultivo e outras culturas de alto valor, visite nossa editoria de lavoura digital e econômica.
Crédito da imagem: Canalrural Fonte: Canalrural
