Preços do suíno vivo recuam e atingem menor nível desde 2022
Preços do suíno vivo despencaram na primeira quinzena de abril e já são os mais baixos, em termos reais, desde março de 2022, segundo o Cepea. A queda de até 12,8% em 15 dias pressiona a margem dos criadores justamente no momento em que custos de ração ainda não recuaram na mesma proporção.
Sobreoferta domina o mercado nas principais praças
Em Santa Catarina, líder nacional na produção, o indicador Cepea/Esalq apontou R$ 5,37 o quilo do animal vivo em 15/4, recuo de 12,82% desde o início do mês e menor valor nominal desde junho de 2022. No Paraná, a cotação fechou a R$ 5,44 o quilo, queda de 11,54% no mesmo período.
Mesmo com exportações em ritmo recorde, a demanda interna segue fraca e o mercado doméstico excessivamente ofertado. O Cepea destaca que a desvalorização registrada na semana passada foi a mais intensa desde janeiro, sinal claro de sobreoferta. Para o produtor, isso significa aperto imediato no fluxo de caixa e necessidade de rever planejamento de abate ou de estoque.
Dados do Cepea/Esalq mostram ainda que a intensidade das quedas supera a média histórica para o período, reforçando o cenário de competição acirrada entre frigoríficos e produtores independentes.
Carne no atacado cai ao menor patamar em quatro anos
No atacado da Grande São Paulo, a carcaça suína especial foi negociada a R$ 8,90 o quilo em 15/4, baixa de 7,68% desde o primeiro dia do mês. Em valores reais, é o menor nível desde maio de 2020. Para quem atua no varejo ou em cooperativas, o recuo abre espaço para renegociação de preços, mas amplia o risco de compressão de margens ao longo da cadeia.
Na prática, o descompasso entre oferta elevada e consumo doméstico lento deve manter o mercado pressionado no curto prazo. A expectativa de alguns analistas é que o alívio possa vir apenas com um ajuste no ritmo de abates ou com eventual recuperação da demanda interna após o pagamento do 13º do funcionalismo público e avanço das temperaturas mais baixas, que tradicionalmente estimulam o consumo de carnes mais gordurosas.
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Crédito da imagem: Globorural.globo Fonte: Globorural.globo
