Preço do trigo em Chicago cai após trégua e USDA eleva safra
Preço do trigo em Chicago despencou para US$ 5,74 por bushel em 9/4, ante US$ 5,98 na semana anterior, refletindo a trégua no conflito EUA/Israel-Irã e um relatório do USDA que ampliou a oferta global. Para produtores brasileiros, o movimento sugere cautela nas vendas, pois a pressão externa coincide com câmbio volátil e moinhos ainda abastecidos.
Trégua arrefece prêmios de risco no mercado futuro
O anúncio de uma pausa nas hostilidades no Oriente Médio reduziu o prêmio de risco geopolítico que vinha sustentando as cotações. Fundos especulativos aproveitaram para liquidar posições, acelerando a queda. Embora o alívio seja considerado frágil, o mercado passou a precificar uma oferta mundial confortável, limitando qualquer reação de alta no curto prazo.
USDA revisa para cima produção e estoques mundiais
No mesmo dia, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou novo relatório de oferta e demanda. A produção global de trigo subiu para 844,2 milhões de toneladas, mais 6 Mt sobre março, enquanto os estoques finais foram recalculados em 283,1 Mt.
Para os EUA, nada mudou de forma relevante, mas dois ajustes chamaram atenção:
- Argentina: 27,9 Mt confirmam recuperação após seca.
- Brasil: corte para 7,87 Mt reforça dependência de importação.
Nos embarques, os EUA despacharam 334,1 mil t na semana encerrada em 2/4, dentro do intervalo mínimo esperado, levando o acumulado do ano comercial a 20,7 Mt, 17 % acima do ritmo anterior. Os números completos estão disponíveis no WASDE do USDA.
Mercado interno reage, mas liquidez segue limitada
No Brasil, as principais praças gaúchas operaram entre R$ 60 e R$ 61 por saca, enquanto o Paraná manteve R$ 66. No mercado spot paranaense, a tonelada voltou a superar R$ 1.280, patamar não visto desde setembro de 2025. Analistas da Safras & Mercado alertam que ainda “não há fundamentos para uma alta consistente”, pois moinhos estão relativamente cobertos e produtores preferem segurar oferta diante da queda externa.
Exportações sustentam recuperação parcial de preços
Um dos fatores que seguram as cotações domésticas é o avanço das exportações. Entre agosto/25 e março/26, estão programados 2 Mt, 97 % saindo do Rio Grande do Sul. Bangladesh lidera as compras (418,3 mil t), seguido por Vietnã (405,6 mil t). Por cabotagem, 250,8 mil t abasteceram o Nordeste.
Do lado oposto, as importações projetadas somam 3,72 Mt até abril/26, com Ceará (826,6 mil t) e São Paulo (731,9 mil t) na dianteira. O aumento de 7 % no preço do trigo argentino em março também ajuda a tornar o produto local mais competitivo.
Em resumo, a combinação de cessar-fogo temporário, estoque global recorde e fluxo internacional moderado mantém pressão sobre Chicago, mas exportações ainda dão fôlego ao produtor brasileiro. Para seguir acompanhando movimentos que impactam preço, logística e estratégia de comercialização, navegue em nossa página inicial e fique por dentro das próximas análises.
Crédito da imagem: Maissoja Fonte: Maissoja
