Preço do milho deve subir em 2026; farelo de soja tende a cair
Preço do milho deve ficar mais salgado em 2026, avisou o CEO global da JBS, Gilberto Tomazoni, durante teleconferência com analistas nesta quinta-feira (26). O executivo atribuiu a expectativa à redução dos estoques mundiais e ao impulso extra dado pelo mercado de etanol, enquanto o farelo de soja, outro insumo-chave da ração, tende a recuar graças à oferta abundante e às margens apertadas da suinocultura chinesa.
Estoques enxutos e etanol mantêm o cereal em alta
Segundo Tomazoni, a combinação de demanda firme e menor volume disponível cria “uma tendência de alta” para o milho em 2026. O cenário converge com a avaliação do Conselho Internacional de Grãos (IGC), que prevê queda na produção global na temporada 2026/27, em parte pela possível redução da área nos Estados Unidos e pelos conflitos no Oriente Médio.
O petróleo mais caro é outro fator decisivo: preços elevados melhoram a margem das usinas de etanol nos EUA e no Brasil, ampliando o consumo de milho para biocombustível. Nos EUA, maiores produtores do grão, a tendência é de que parte das lavouras migre para a soja, reforçando o aperto na oferta e, consequentemente, a pressão altista sobre as cotações.
Para o Brasil, a segunda safra — principal janela de produção do cereal — atravessa fase crítica de clima. Tomazoni alertou que o desempenho vai depender das chuvas de abril e maio, o que acrescenta risco ao abastecimento e ao preço final.
Farelo de soja sente o peso da oferta e da demanda fraca
No lado da oleaginosa, o executivo enxergou um “cenário baixista”. A ampla disponibilidade mundial de soja, combinada com margens reduzidas para os produtores de carne suína na China, freia as cotações do farelo. Mesmo assim, ele ponderou que eventuais mudanças na política de biocombustíveis dos Estados Unidos podem oferecer algum suporte ao mercado da soja.
Os dois insumos representam parcela relevante dos custos da JBS, líder global em proteínas. A companhia utiliza ração em escala nas operações de frangos, suínos e nos confinamentos bovinos. Por isso, qualquer oscilação de preços impacta diretamente a rentabilidade das unidades.
O que muda na prática para produtores e indústrias
Para quem compra milho, o recado é claro: considerar contratos futuros ou travas de preço antes que a curva de alta se consolide pode ser estratégico. Já quem depende de farelo de soja encontra sinal de alívio no curto e médio prazos, mas deve acompanhar de perto decisões regulatórias que envolvem combustíveis renováveis nos EUA, capazes de mudar o quadro rapidamente.
Na prática, monitorar estoques, clima no Centro-Oeste e movimentação do petróleo será essencial para ajustar custos de ração e margens de produção até 2026.
Quer saber como oscilações de preços impactam a eficiência econômica da lavoura? Acesse nossa editoria de lavoura digital e econômica e acompanhe as análises mais recentes.
Crédito da imagem: Forbes Fonte: Forbes
