Lavoura Digital

Preço do café sobe 1,6% em Nova York e renova tendência de alta

Preço do café voltou a ganhar fôlego na manhã desta quinta-feira (23/4) na bolsa de Nova York: o contrato para julho de 2026 subia 1,59%, negociado a 2,9370 centavos de dólar por libra-peso. O movimento mantém a sequência de recuperação da commodity e acende o alerta para quem acompanha custos e margens no campo.

Tensão geopolítica pressiona mercado e estimula recompra de vendidos

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O gatilho da nova alta veio de fora das lavouras. A possibilidade de prolongamento do conflito entre Estados Unidos e Irã — que pode manter o Estreito de Ormuz parcialmente fechado — levantou dúvidas sobre a logística global de embarque de café. Diante do risco, fundos e grandes players passaram a cobrir posições vendidas na quarta-feira, impulsionando os preços futuros.

Embora a maior parte do café embarque por rotas atlânticas, o mercado teme efeitos em cadeia sobre custos de frete, seguro e disponibilidade de navios. Na prática, isso pode encarecer o produto brasileiro na exportação e, mais adiante, mexer no cálculo de renda do produtor.

Para dimensionar a importância do fluxo externo, basta lembrar que o Brasil enviou 39,2 milhões de sacas ao exterior na safra 2023/24, segundo a Conab, volume que responde por quase um terço do comércio mundial de café.

Cacau devolve parte dos ganhos; açúcar e suco avançam

O pregão desta quinta não se resume ao café. O cacau devolveu parte da disparada de 3,7% registrada no último fechamento: o vencimento julho/26 recuava 0,32%, a US$ 3.415 a tonelada. Já o açúcar caminhava de lado, com alta discreta de 0,14%, cotado a 13,82 centavos de dólar por libra-peso.

Entre as fibras, o algodão perdia 0,17% e era negociado a 78,50 centavos de dólar por libra-peso, refletindo perspectivas de oferta folgada nos Estados Unidos. No grupo das bebidas, o suco de laranja concentrado e congelado mantinha ritmo firme: avanço de 3,17%, para US$ 1,7875 por libra-peso, ainda sob influência de preocupações climáticas na Flórida.

O que observar nos próximos dias

Para o produtor, o ponto de atenção está na combinação entre câmbio, custo de frete e ritmo de embarques. Caso a tensão no Oriente Médio persista, o mercado pode buscar novas máximas, favorecendo quem ainda tem parte da safra para fechar preço — mas elevando o risco de volatilidade.

Movimentos em outras commodities agrícolas também merecem monitoramento: pressão baixista no cacau pode aliviar custos de chocolateiros, enquanto a valorização do suco reforça a rentabilidade de citricultores.

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Crédito da imagem: Globorural.globo Fonte: Globorural.globo

Francisco devruk

Francisco

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