Preço do boi gordo segue forte e encosta em R$ 366, diz Cepea
Preço do boi gordo volta a fechar acima de R$ 365 por arroba e consolida o maior patamar nominal desde 1997, segundo o Indicador Cepea/Esalq. O avanço mantém margens de venda aquecidas, reforça a recuperação dos pecuaristas e sinaliza pressão adicional sobre os custos de frigoríficos e varejo.
Cotações ultrapassam R$ 350 no Centro-Oeste
Durante a semana encerrada em 10 de maio, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul concentraram as variações mais expressivas. Em Três Lagoas (MS), a arroba atingiu R$ 360, alta de 3,45% em sete dias. Já Colíder (MT) registrou R$ 351, avanço de 3,10%. O piso de R$ 350 demonstra que a oferta enxuta de animais prontos para abate ainda sustenta negociações firmes em toda a região.
Dados de mercado coletados pelo Cepea apontam que os frigoríficos operam com escalas curtas, o que aumenta a competição pelos lotes disponíveis e limita quedas de preço no curto prazo.
Liquidez menor em São Paulo não derruba valores
No estado paulista, parte dos compradores se manteve fora das compras na sexta-feira (10), o que reduziu o volume negociado. Mesmo assim, os preços ficaram entre R$ 365 e R$ 375 por arroba. Para o produtor, isso significa que, mesmo com menor intensidade de negócios, a referência paulista continua como um dos tetos do mercado nacional.
Nos leilões de reposição, todos os lotes foram arrematados, indicando confiança do invernista na continuidade do ciclo de alta. A combinação de pastagens favorecidas pelo clima outonal e demanda estável de engordas explica a firmeza.
Carcaça casada sobe quase 2% no atacado
O reflexo dos preços pagos ao pecuarista já aparece no atacado da Grande São Paulo. A carcaça casada foi cotada a R$ 25,09/kg à vista, avanço de 1,9% na semana. O “boi equivalente”, que ajusta o valor do animal vivo ao mercado de carne, chegou a R$ 376,35, reforçando margens positivas para os frigoríficos que conseguem repassar parte do reajuste ao varejo.
Segundo agentes ouvidos pelo Cepea, o consumo interno firme para cortes de dianteiro e o bom ritmo das exportações — amparadas pela demanda chinesa — dão sustentação à arroba, mesmo em um período tradicionalmente mais morno do calendário.
Perspectiva de curto prazo indica viés de alta
Analisando escalas enxutas, demanda internacional aquecida e pasto ainda disponível, analistas projetam manutenção do viés firme nas próximas semanas. Na prática, pecuaristas que segurarem o gado por mais alguns dias podem encontrar compradores dispostos a pagar prêmios. Já os frigoríficos devem ajustar compras de forma seletiva, evitando alongar escalas e garantindo margem.
Para quem atua na reposição, a dica é monitorar custos de alimentação e a evolução do mercado futuro: contratos para junho negociados na B3 também mostram sustentação, o que reforça a tendência de curto prazo.
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Crédito da imagem: Canalrural Fonte: Canalrural
