Preço do boi gordo se mantém firme e arroba chega a R$353
Preço do boi gordo mantém trajetória de firmeza e voltou a subir em boa parte do país: 14 das 33 praças acompanhadas pela Scot Consultoria registraram avanço nesta quinta-feira (26/3), enquanto 19 permaneceram estáveis. A arroba chegou a R$ 353 em Araçatuba (SP), referência nacional, reforçando sinal de sustentação para o pecuarista que ainda segura o gado no pasto.
Alta atinge 14 das 33 praças monitoradas
O movimento de valorização, embora pontual, espalhou-se por estados tradicionalmente formadores de preço. Araçatuba e Barretos, polos exportadores de São Paulo, mantiveram as cotações do dia anterior, mas já acumulam dois reajustes seguidos na semana. Nas duas praças, o boi gordo para pagamento a prazo vale R$ 353 a arroba, enquanto o “boi China” — animal que atende às exigências sanitárias do principal comprador externo — alcança R$ 356.
Entre as fêmeas, a novilha subiu R$ 2 e passou para R$ 337 a arroba. Já a vaca permaneceu em R$ 322. Segundo a Scot, a liquidez melhorou, com indústrias estendendo as escalas de abate e oferecendo bônus adicionais para lotes maiores.
O que a firmeza dos preços sinaliza para o pecuarista
Para o produtor, a sustentação indica que a ponta de oferta começa a se ajustar. Com as pastagens ainda resistentes após o período chuvoso, muitos confinadores retardam a venda e aumentam o poder de barganha. Esse comportamento, aliado à demanda externa constante, ajuda a explicar por que o valor da arroba não cedeu mesmo num momento de consumo interno fraco.
Dados do Cepea/Esalq mostram movimento semelhante: o Indicador do boi gordo subiu 0,9 % nos últimos cinco dias, confirmando a tendência de curto prazo. No câmbio, o dólar acima de R$ 4,90 continua favorecendo as exportações e reduzindo a pressão baixista no mercado físico.
Demanda doméstica lenta adia reação no atacado
Embora o boi vivo esteja mais firme, a carne bovina segue com giro reduzido nos frigoríficos, relata a Agrifatto. A consultoria destaca que o consumidor final vem priorizando proteínas mais baratas, como frango e suíno, o que limita repasses de preço na cadeia. A expectativa é de melhora apenas na virada do mês, quando entram salários, pagamentos de cartões de crédito e a proximidade da Páscoa, tradicionalmente favorável a cortes de maior valor agregado.
Até lá, o frigorífico opera com margens apertadas e escalas ainda curtas, cenário que pode conter novas altas expressivas para o boi gordo nesta primeira quinzena de abril. O ponto de atenção, portanto, é equilibrar momento de venda com custo de engorda: quem dispõe de pasto barato ainda consegue alongar a permanência do lote; já quem depende de ração procura travar preços para proteger a margem.
Em resumo, a firmeza observada nesta semana reflete menor pressão de oferta e dólar sustentado, mas a recuperação plena do consumo interno depende do fluxo de caixa do varejo nas próximas semanas. Para seguir acompanhando tendências de custos, margens e estratégias de comercialização, visite nossa editoria de lavoura digital e econômica.
Crédito da imagem: Globorural.globo Fonte: Globorural.globo
