Preço do boi gordo bate R$ 370 com oferta curta e China ativa
Preço do boi gordo segue em franca escalada, com valores chegando a R$ 370 por arroba em São Paulo após nova rodada de altas puxadas pela oferta curta de animais e pelo ritmo acelerado das exportações para a China. Para o pecuarista, o cenário indica poder de barganha maior na venda dos lotes, mas exige atenção às escalas de abate cada vez mais enxutas nos frigoríficos.
Oferta restrita coloca frigoríficos na defensiva
Segundo a Safras & Mercado, as plantas de abate seguem com escalas curtas e já avaliam aumentar a ociosidade em abril ou até conceder férias coletivas. A falta de boiadas em volume suficiente sustenta a valorização da arroba em praticamente todas as praças pecuárias:
- São Paulo – R$ 370,00 (+2,78% na semana)
- Goiás – R$ 355,00 (+4,41%)
- Minas Gerais – R$ 350,00 (+1,45%)
- Mato Grosso do Sul – R$ 360,00 (+2,86%)
- Mato Grosso – R$ 360,00 (+1,41%)
- Rondônia – R$ 330,00 (+3,13%)
Na prática, o pecuarista encontra menor resistência para negociar preços superiores, enquanto os frigoríficos precisam readequar a produção para não operar com custos elevados em dias parados.
China acelera compras e pode esgotar cota mais cedo
O apetite chinês por carne bovina brasileira continua a todo vapor. No primeiro quadrimestre, o país vem absorvendo grande parte dos embarques, e analistas já apontam possível esgotamento da cota entre maio e meados de junho. Em março, as vendas externas somaram 233,9 mil t e geraram US$ 1,36 bilhão, alta de 29% no faturamento diário frente a igual mês de 2025, de acordo com a Secretaria de Comércio Exterior.
Para o terceiro trimestre, no entanto, cresce a incerteza: a maior oferta de animais confinados pode coincidir com uma demanda externa mais contida se a cota realmente acabar antes do previsto. O detalhe que mais chama atenção é que, mesmo nesse cenário, a restrição de oferta no mercado interno tende a limitar quedas bruscas de preço.
Atacado firme, mas frango limita repasses ao varejo
No atacado, o quarto dianteiro chegou a R$ 22,50/kg (+2,27% em uma semana) e o traseiro permaneceu em R$ 27,50/kg. O ingresso dos salários deve estimular a reposição entre atacado e varejo, mas a competitividade da carne de frango – atualmente mais barata – ainda freia ajustes mais agressivos.
Dados do Cepea/Esalq mostram que a diferença de preço entre as duas proteínas aumentou em março, o que pode manter o consumidor final mais sensível a variações expressivas na carne bovina.
O que monitorar nas próximas semanas
• Escalas de abate: se seguirem curtas, a arroba tem espaço para novos ganhos. • Cotação do dólar: variações cambiais afetam a atratividade das exportações. • Ritmo de embarques: qualquer desaceleração antecipada da China pode mudar o humor do mercado. • Preço das proteínas concorrentes: frango barato pode pressionar margens no varejo.
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Crédito da imagem: Canalrural Fonte: Canalrural
