Preço da soja cai novamente e pressiona rentabilidade no campo
Preço da soja voltou a recuar nas principais praças brasileiras, interrompendo o breve alívio visto no início da semana e reforçando a pressão sobre a margem dos produtores.
Nova sequência de baixas em Paranaguá puxa mercado para baixo
No porto de Paranaguá (PR), o indicador Cepea/Esalq encerrou a quinta-feira (23/4) cotado a R$ 126,90 por saca, queda diária de 0,42%. O movimento completa cinco recuos em apenas quatro pregões, refletindo a leitura de safra cheia no Brasil e na vizinha Argentina. Em Chicago, contratos para julho perderam 0,40%, fechando a US$ 11,7475 por bushel, reforçando o tom baixista global.
O clima favorável e a boa evolução da colheita mantêm a percepção de oferta abundante. A Bolsa de Cereais de Buenos Aires elevou a projeção de produção argentina 2025/26 de 48,5 Mt para 48,6 Mt, sinalizando mais grãos no mercado regional. Esse cenário amplia a competitividade sul-americana e limita qualquer tentativa de recuperação consistente nas cotações internas.
Impacto direto no caixa do produtor e cotações regionais
A pressão é sentida de forma desigual pelo país. Levantamento da AgRural mostra a saca estável em R$ 121 em Ponta Grossa (PR), mas recuando para R$ 102 em Sinop (MT), desconto de R$ 0,50 no dia. Já em Luís Eduardo Magalhães (BA), a saca perdeu R$ 1,50 e fechou em R$ 111. Com custos de produção ainda pressionados por fertilizantes e frete, cada real a menos na cotação pesa na rentabilidade e exige revisão fina do fluxo de caixa.
Segundo analistas do Cepea, o produtor que segurou o grão à espera de valores melhores agora avalia antecipar vendas para liberar armazéns e fazer giro. Na prática, isso pode gerar um novo ciclo de oferta no curto prazo, retardando qualquer reação de preço. Para minimizar riscos, especialistas recomendam travar pelo menos parte da produção em contratos a termo ou via barter, combinando vendas físicas e instrumentos de proteção financeira.
O que monitorar nos próximos dias
Além do avanço da colheita argentina, o mercado segue atento ao ritmo de embarques brasileiros e à demanda chinesa. Qualquer sinal de cortes na importação poderá aprofundar as baixas. Por outro lado, eventual recuo do dólar ou problemas climáticos de última hora nos EUA durante o plantio poderiam trazer suporte pontual às cotações.
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Crédito da imagem: Globorural.globo Fonte: Globorural.globo
