Preço da cenoura dispara 28% e pressiona bolso do consumidor
Preço da cenoura avançou 28,08% entre fevereiro e março, segundo o IPCA do IBGE, e virou símbolo da nova rodada de pressão inflacionária que já encarece a feira e mexe no planejamento de quem produz hortaliças.
Oferta enxuta e clima extremo detonam o valor na gôndola
A arrancada de preços começa no campo. Entre janeiro e o fim de março de 2026, episódios de chuva acima da média atingiram as principais regiões produtoras, reduzindo a qualidade das raízes colhidas e abrindo caminho para a chamada “mela” – podridão mole que deforma a cenoura e inviabiliza a venda. Com menos lotes saudáveis, o equilíbrio clássico entre oferta e demanda puxou a cotação para cima. No Entreposto Terminal São Paulo (ETSP), o quilo encerrou março a R$ 4,19, 32,9% mais caro em 12 meses, informa a Ceagesp.
O salto contrasta com o comportamento registrado no fim de 2025, quando o IBGE apontou queda de 5,04% em novembro e retração de 2,35% em dezembro. O cenário mudou no verão: janeiro abriu o ano com alta de 9,94% e fevereiro ainda mostrava avanço moderado de 0,58%. Já em março, o acúmulo de chuvas e a quebra de qualidade estouraram a escala.
Doença pós-colheita agrava perdas nas lavouras
O excesso de umidade favorece a ação de bactérias que causam a podridão mole, principal problema pós-colheita da cultura no verão. O patógeno penetra por ferimentos gerados na colheita, transporte ou limpeza, leva ao apodrecimento rápido e interrompe o fluxo de entrega. Para o produtor, o impacto imediato é o descarte de parte da produção e, em paralelo, o encarecimento do produto remanescente. Segundo a Embrapa, práticas simples de manejo, como evitar danos mecânicos e melhorar a ventilação dos galpões, já reduzem perdas.
Inflação de alimentos acelera e atinge outras hortaliças
A cenoura não está sozinha. No mesmo intervalo, o grupo “Alimentação e Bebidas” do IPCA saltou de 0,26% para 1,56% e pressionou a inflação geral para 0,88%. Também registraram alta expressiva: abobrinha (23,56%), tomate (20,31%), cebola (17,25%), feijão-carioca (15,40%), batata-doce (13,41%) e batata-inglesa (12,17%). Esse movimento reforça o alerta para varejo, indústria de processamento e, principalmente, para o produtor que precisa renegociar contratos ou ajustar cronogramas de plantio diante da volatilidade.
O que muda na prática para quem planta e para quem compra
Na lavoura, o detalhe mais relevante é que a margem pode até crescer para produtores que mantiveram lotes de qualidade, mas o risco operacional — perdas por doença e custo maior de cuidados fitossanitários — também sobe. Já no varejo, o repasse ao consumidor é quase automático, pois a cenoura é item básico e sofre pouca substituição direta. Para o gestor agrícola, a lição é calibrar calendários, investir em drenagem e monitoramento de solo para escapar de picos de umidade nas fases críticas da cultura.
Perspectivas e pontos de atenção
A entrada da safra de inverno, cultivada em regiões mais frias e normalmente menos suscetíveis à podridão mole, tende a aliviar parte da pressão a partir de junho. No entanto, novos eventos climáticos extremos podem alterar rapidamente esse quadro. A recomendação de analistas é acompanhar relatórios de oferta, monitorar os avisos meteorológicos e, quando possível, diversificar cultivos para diluir riscos.
Mercado volátil, clima imprevisível e doença pós-colheita deixam claro que eficiência de custo e planejamento de riscos serão ainda mais decisivos em 2026. Para seguir acompanhando como preços, produtividade e economia rural se conectam no dia a dia da fazenda, visite nossa editoria de lavoura digital e economia.
Crédito da imagem: Globorural.globo Fonte: Globorural.globo
