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Peixes brasileiros ganham espaço e substituem bacalhau na Páscoa

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Peixes brasileiros avançam nas mesas de bares e restaurantes nesta Páscoa e ganham terreno antes dominado pelo bacalhau importado, movimento puxado pelo salto de preços da iguaria portuguesa, pela oferta de 257 mil toneladas de pescado nativo em 2025 e pela ação de chefs que mostram ao consumidor sabores locais com melhor custo–benefício.

Alta do bacalhau abre espaço para o pescado nacional

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Segundo a Confederação Nacional do Comércio, o quilo do bacalhau nobre subiu 19 % e hoje varia de R$ 220 a R$ 380, reflexo direto do câmbio. O impacto foi imediato: as encomendas externas recuaram 22 % e as importações despencaram de 45,2 milhões de quilos em 2010 para apenas 6,3 milhões em 2025, o menor nível em duas décadas. Com a lacuna deixada no mercado, espécies como tambaqui, tambatinga, carapau e sororoca passaram a ser procuradas por restaurantes que, juntos, registram alta de 20 % no consumo de pescado no feriado.

A Ceagesp ilustra a virada: na Páscoa passada, o entreposto paulista movimentou mais de 5 mil toneladas de pescado e faturou R$ 71 milhões, com participação crescente de espécies nacionais.

Chefs impulsionam tendência e valorizam a costa brasileira

Nomes como Dário Costa (Madê, Paru e Benedita) e Adriano de Laurentiis (Cais) lideram a mudança cultural ao priorizar peixes “desconhecidos” do grande público. A greve dos caminhoneiros de 2018, que travou a logística de ingredientes importados, foi apontada por Costa como ponto de virada para adotar cardápios sazonais e locais. Hoje, carapau, olhete e sororoca brilham em receitas de brasa e forno, enquanto a abrótea — da mesma família do bacalhau — surge como substituta quase idêntica em sabor e textura para quem não abre mão do clássico prato salgado e dessalgado.

Para Laurentiis, a discussão vai além do prato: cadeia de frio, manejo na despesca e logística ainda precisam evoluir para que o produto chegue inteiro ao consumidor. Quem compra deve observar olhos vivos, guelras vermelhas e carne firme, além de respeitar o defeso.

Oportunidade para piscicultores e logística de pescado

Com um dos maiores litorais do planeta e crescente demanda por proteína de peixe, a piscicultura nacional tem chance de ganhar escala, diversificar renda e reduzir a dependência de importados. Espécies nativas de cultivo como tambaqui, tilápia e pirarucu já entregam volume, mas o avanço de variedades costeiras cria nova fronteira de mercado. De acordo com a Associação Brasileira da Piscicultura, a produção de peixes nativos tende a crescer à medida que restaurantes, varejo e consumidores aceitam novos sabores.

A adequação da cadeia de frio é gargalo e oportunidade. Investir em gelo em flocos na origem, transporte refrigerado e capacitação em boas práticas pode limitar perdas, elevar margem e consolidar um selo de qualidade nacional, reforça a Embrapa em estudo sobre piscicultura sustentável.

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A virada deste ano indica que, na prática, escolher primeiro o peixe fresco disponível e depois definir a receita virou mandamento para chefs e consumidores. Produtores que se anteciparem à tendência podem capturar preços melhores e abrir novos canais. Para acompanhar outras transformações que afetam diretamente quem vive do campo e da água, navegue pela nossa página de notícias.

Crédito da imagem: Forbes Fonte: Forbes

Francisco devruk

Francisco

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