Palma de óleo na Colômbia impulsiona renda de pequenos
Palma de óleo na Colômbia deixou de ser exceção e virou estratégia regional: 17,6 mil hectares legalizaram a produção no sul de Bolívar, elevando a renda de 208 famílias que antes dependiam da coca e de economias clandestinas.
Da cultura ilícita a um mercado formal que paga em dia
Em San Pablo, município marcado por conflitos armados, o produtor Yoger Payares resume a virada: “A palma foi uma bênção”, disse em transmissão exibida pela Record. Até 2018, o trajeto para entregar fruto levava três dias e corroía qualquer margem. A chegada das extratoras privadas Loma Fresca e Vizcaya encurtou a distância do comprador, reduziu custos logísticos e ofereceu um preço transparente – item raro numa área antes controlada por guerrilhas.
A mudança ganhou escala quando 208 agricultores criaram a PromoAgrosur. A associação recebeu suporte do Fundo de Apoio a Pequenos Produtores da RSPO, avançou na certificação nacional APSColombia e agora busca o selo global RSPO para pequenos, visto como passaporte para novos contratos.
Infraestrutura local fecha o ciclo e acelera produção
Hoje, 15 mil hectares já estão em plena produção e pouco mais de 2 mil seguem em desenvolvimento. As plantas extratoras locais fecharam o ciclo produtivo dentro do próprio território, eliminando o “imposto invisível” de atravessar fronteiras departamentais. O resultado prático é margem maior para o produtor e previsibilidade para investidores.
Cerca de 60% das áreas têm mais de 15 anos – fruto dos programas de substituição Plan Plante e Pa’lante, lançados nos anos 2000 com apoio de ONGs dos EUA – e 40% são plantações jovens. A combinação garante oferta constante e traz renovação genética capaz de sustentar produtividade nos próximos ciclos.
A relevância econômica por trás dos números de exportação
O agro colombiano sustentou grande parte das vendas externas em 2025. Segundo o Departamento Administrativo Nacional de Estatística (Dane), enquanto o total exportado pelo país subiu apenas 1,3%, o agronegócio avançou 33,2%, puxado por café, banana e, sobretudo, palma. No mesmo período, os embarques de óleo de palma cresceram 82% em volume e 102% em valor.
Para Carlos Mario Murgas Lacouture, diretor de Gestão Social da Loma Fresca, o desafio agora é blindar a cadeia contra os riscos climáticos previstos com o fenômeno El Niño em 2026 e garantir que a forte dependência do mercado interno não limite ganhos futuros.
Analistas veem espaço para expansão, mas reforçam a importância da certificação internacional. Além de abrir portas na Europa e na Ásia, o selo RSPO impõe práticas ambientais e sociais que reduzem o risco reputacional – ponto cada vez mais sensível para compradores globais de gorduras vegetais, como destaca relatório da FAO.
O que muda na prática para o produtor brasileiro que observa de longe
Apesar de a palma ser focada nos trópicos úmidos, o case colombiano traz lições úteis: organização coletiva, comprador próximo e certificação aceleram a migração para culturas legais, aumentam margem e facilitam acesso a crédito verde. Quem cultiva dendê na Amazônia ou planeja diversificar áreas degradadas pode espelhar o modelo de PromoAgrosur para antecipar exigências de mercado.
Na prática, o detalhe mais relevante é a integração territorial: extratora, assistência técnica e logística operam em raio de poucas horas, reduzindo custos fixos e tempo ocioso. Quando essa engrenagem funciona, até pequenos lotes – Payares cultiva apenas 11 hectares – tornam-se economicamente viáveis.
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Crédito da imagem: Forbes Fonte: Forbes
