Nutrição funcional impulsiona avanço das proteínas no Brasil
Nutrição funcional desponta como motor de crescimento para toda a cadeia de proteínas, e o Brasil assume papel central nesse movimento graças à escala produtiva, espaço para ganhos de eficiência e investimentos em biotecnologia, segundo o CEO global da JBS, Gilberto Tomazoni, durante o 12º Brazil Investment Forum, nesta terça-feira (7).
Brasil consolida vantagem competitiva na produção de proteínas
Tomazoni lembrou que o país detém o maior rebanho comercial bovino do planeta e ainda tem margem para aumentar produtividade com genética, nutrição de precisão e manejo. “O Brasil vai dar as cartas na carne bovina, porque tem rebanho, área e ampla oportunidade de ganho de produtividade”, afirmou.
Para o executivo, segurança alimentar virou prioridade estratégica em vários governos, o que multiplicou iniciativas locais de produção, principalmente no Oriente Médio. Mesmo assim, ele sustenta que esses projetos não reduzem a necessidade de importação: “Nunca se fecha a equação produzindo tudo o que o mercado exige”, disse.
Esse cenário, combinado a mudanças demográficas e maior busca por saúde e qualidade de vida, transformou o consumo de proteína de tendência conjuntural em fenômeno estrutural. “Estamos diante de uma mudança definitiva no padrão de consumo”, declarou.
Superproteínas e biotecnologia abrem nova frente de mercado
O dirigente apontou a chamada “segunda via” para o setor: as superproteínas, elaboradas para oferecer benefícios funcionais específicos — energia, bem-estar ou suporte imunológico. A JBS aposta tanto no aumento de produtividade da proteína natural quanto no desenvolvimento de compostos customizados via biotecnologia.
Exemplo desse foco é a recém-inaugurada JBS Biotech, em Florianópolis (SC), dedicada a pesquisa avançada aplicada à cadeia de alimentos. O centro busca acelerar soluções que agreguem valor e atendam a nichos de saúde e performance, segmento que, segundo Tomazoni, “ganhará escala nos próximos anos”.
Estudos da Embrapa confirmam a tendência: ingredientes com propriedades funcionais podem ampliar rentabilidade em até 30% para indústrias que dominam formulação e rastreio de benefícios, fortalecendo a tese de diversificação defendida pela companhia.
O que muda na prática para pecuaristas e indústrias
Na visão de Tomazoni, produtores brasileiros devem observar três impactos diretos:
- Mais demanda qualificada: clientes internacionais buscarão lotes padronizados e rastreáveis de maior valor nutricional.
- Pressão por eficiência: genética e manejo de precisão passam a ser essenciais para atender volumes crescentes sem ampliar área.
- Diversificação de receitas: insumos destinados a superproteínas podem gerar contratos de maior valor agregado.
Já para frigoríficos e processadores, a vantagem competitiva virá da capacidade de ofertar portfólios híbridos — proteína convencional e funcional — reduzindo exposição a oscilações de mercado e a mudanças de hábito de consumo.
A procura global por saúde na alimentação abre janela rara de negócios. Quem acompanhar de perto inovações em biotecnologia e manejo de precisão tende a capturar margens maiores e acesso a mercados premium. Para seguir atualizado sobre movimentos estratégicos no agro e na indústria de alimentos, visite nossa página inicial.
Crédito da imagem: Canalrural Fonte: Canalrural
