Novo CEO da UPL aposta em mix químico-biológico para crescer
Novo CEO da UPL no Brasil, o agrônomo Cristiano Figueiredo assume o cargo em meio a custos logísticos em alta e margens apertadas, mas já traça um plano para manter a companhia entre as líderes de defensivos agrícolas: reforçar parcerias, ampliar fábricas locais e acelerar o portfólio químico-biológico que deve responder por 50% da receita até 2027.
Monitoramento diário de custos e conflitos externos
Com 26 anos de experiência no agro e oito dentro da UPL Brasil, Figueiredo diz acompanhar “dia a dia” a tensão no Oriente Médio. O motivo é claro: qualquer aumento no preço do petróleo pressiona frete marítimo e matérias-primas petroquímicas, bases de muitos defensivos. Segundo o executivo, a empresa avalia componente por componente para prever onde os repasses de preço serão inevitáveis.
Para mitigar riscos, a multinacional indiana conta com “a maior plataforma de manufatura da indústria” e a flexibilidade de transferir produção entre unidades globais. No país, duas fábricas de formulação permitem entregar produtos no momento crítico da aplicação, reduzindo a dependência de importados e protegendo o agricultor contra atrasos.
Crescimento qualitativo: foco em tecnologia e rentabilidade
Figueiredo mantém o tom prudente do antecessor Rogério Castro: o ano fiscal recém-encerrado não deve trazer saltos de faturamento, mas sim ganhos de qualidade. Ele garante que, mesmo com o produtor mais cauteloso, há apetite por inovação que eleva produtividade por hectare. Por isso, a próxima safra já deve contar com:
- Inseticida inédito para lagartas em soja, milho, algodão e milheto;
- Herbicida com nova tecnologia de manejo para plantas resistentes como pé-de-galinha e buva;
- Indutor biológico de defesa, categoria que a UPL pretende inaugurar no Brasil.
A empresa calcula hoje 7% de participação de mercado e quer avançar mesclando soluções químicas e biológicas. O desempenho de 2023 reforça a estratégia: enquanto químicos cresceram 6%, os bioinsumos saltaram 15%, segundo CropLife Brasil.
Estrutura comercial blindada contra quebras de distribuidoras
Cerca de 70% das vendas passam por distribuidores e cooperativas, canais que enfrentaram recuperação judicial de grandes redes. A resposta da UPL, explica o CEO, foi adotar um modelo de “territory management” com mais de um parceiro por região, evitando ruptura de oferta. Ao mesmo tempo, o canal direto avança via Orígeo, joint venture com a Bunge que já cobre um terço do mercado de defensivos.
No relacionamento com cooperativas, o programa CooperUp segue recebendo investimento para dar escala a entidades regionais que atendem grande volume de agricultores, reforçando capilaridade e presença de marca.
Reorganização global sem impacto local
Figueiredo afirma que a recém-anunciada fusão das operações de proteção de cultivos dentro e fora da Índia – etapa rumo à criação da UPL Global Sustainable Agri Solutions Limited – não alterará a rotina brasileira. A mudança, diz ele, “apenas simplifica a estrutura societária para o mercado de capitais”.
No curto prazo, o executivo acredita que a demanda por soluções de alto teto produtivo manterá a “pizza” do mercado em expansão, mesmo com área plantada crescendo mais lentamente. Para os produtores, a mensagem é direta: investir em tecnologias que elevem eficiência por hectare continua sendo o caminho mais seguro para sustentar rentabilidade.
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Crédito da imagem: Agfeed Fonte: Agfeed
