Nova braquiária da Embrapa promete 16 t/ha e foco no Cerrado
Nova braquiária da Embrapa chega ao mercado com produtividade de até 16 t de matéria seca/ha, tolerância a solos ácidos e potencial de elevar em 12% o ganho de peso por área no Cerrado, sinalizando avanço prático para pecuaristas que buscam intensificar pastagens de baixo investimento.
O que faz a BRS Carinás chamar atenção
Primeira cultivar brasileira de Brachiaria decumbens, a BRS Carinás foi desenvolvida pela Embrapa em parceria com a Unipasto para atender produtores que dependem de solos pobres em fósforo e com alta acidez, comuns no Cerrado. Nos ensaios oficiais, a gramínea:
- entregou até 16 t/ha/ano de matéria seca, 18% acima da média na estação chuvosa;
- apresentou maior proporção de folhas, parte mais nutritiva para o gado;
- resistiu ao acamamento, facilitando o manejo mesmo em áreas vedadas;
- suportou carga animal mais alta, resultando em 12% de ganho de peso adicional por hectare.
Na prática, esses números significam a possibilidade de lotação maior sem abrir novas áreas, além de redução de custos com suplementação no período seco.
Desempenho estratégico na seca e em sistemas integrados
Pesquisas conduzidas pelo especialista Sanzio Barrios indicam que a cultivar pode ser vedada no fim das águas e disponibilizada na entressafra, oferecendo até 40% mais massa de forragem viva que a tradicional Basilisk. O resultado é oferta regular de alimento em um momento crítico, quando a maioria das pastagens perde valor nutritivo.
Em Integração Lavoura-Pecuária (ILP), a BRS Carinás mostrou boa convivência com o milho, sem prejudicar a produtividade do grão. Durante a entressafra, a produção de palhada chegou a ser 70% superior às espécies usadas hoje, melhorando cobertura de solo, ciclagem de nutrientes e condições para plantio direto subsequente.
Impacto econômico para quem produz no Cerrado
Com o Cerrado respondendo por cerca de 50% do rebanho nacional, segundo a Embrapa Gado de Corte, a adoção de uma forrageira que mantém desempenho mesmo em solos limitantes pode acelerar a intensificação sem a necessidade imediata de correções caras. A maior eficiência no ganho de peso reduz o ciclo de engorda e antecipa a receita da arroba, ponto chave em cenários de custos elevados.
Além disso, a resistência às cigarrinhas — praga que afeta cultivares mais antigas — amplia a segurança fitossanitária e diminui gastos com controle químico, outro ganho indireto na rentabilidade.
Próximos passos para adoção no campo
Sementes da BRS Carinás já estão disponíveis na rede Unipasto. Técnicos recomendam semeadura entre 6 e 8 kg/ha, dependendo do tipo de solo, com inoculação de 4 a 6 ton/ha de calcário quando economicamente viável. A expectativa da Embrapa é expandir o uso da cultivar para outros biomas e países latino-americanos baseados em braquiárias, diversificando a matriz forrageira e diluindo riscos produtivos.
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Crédito da imagem: Canalrural Fonte: Canalrural
