MBRF amplia acordo com Salic e dobra envio de proteína à Arábia Saudita
MBRF amplia acordo com Salic ao dobrar o volume de aves contratado e incluir carne bovina no pacote que abastece a Arábia Saudita, sinalizando impacto direto na demanda por proteína brasileira e reforçando a segurança alimentar do reino em meio a desafios logísticos no Oriente Médio.
O que mudou no contrato multiproteína
O entendimento assinado neste domingo (12/4) entre a MBRF e a Saudi Agricultural and Livestock Investment Company (Salic) eleva de 300 mil para até 600 mil toneladas anuais o teto de carne de frango e adiciona um novo compromisso de até 270 mil toneladas por ano em cortes bovinos. O preço de venda segue a mesma regra: valores praticados com clientes estratégicos no momento de cada compra. A obrigação depende da existência de plantas brasileiras habilitadas a exportar para a Arábia Saudita.
Para Marcos Molina, presidente do conselho de administração da MBRF, o aumento “consolida a plataforma multiproteína” criada após a fusão entre Marfrig e BRF, concluída em 2025. O ajuste também aproveita a capacidade já instalada da companhia: três plantas de frango na Península Arábica, 11 centros de distribuição e dois escritórios comerciais dedicados ao mercado halal.
Por que isso importa para produtores e exportadores
Dobrar o volume contratado garante previsibilidade de compra para a MBRF, fator que tende a gerar:
- Estimativa de demanda firme para integrados de frango e pecuaristas parceiros;
- Maior ocupação de frigoríficos habilitados para o Oriente Médio;
- Possibilidade de contratos de grãos mais longos, já que milho e farelo de soja respondem por boa parte do custo das granjas.
Além disso, a entrada oficial da carne bovina amplia o leque de proteína halal processada no Golfo, mercado que paga prêmio diante dos requisitos religiosos. Segundo projeção da FAO, a região deve manter a importação de proteína animal em alta pelos próximos anos devido à limitação de produção local.
Contexto geopolítico e desafios logísticos
O ajuste acontece enquanto o conflito no Oriente Médio encarece fretes e fecha rotas como o Estreito de Ormuz. A MBRF informou ao Valor que as negociações com a Salic antecedem a guerra, mas reconhece que o contrato reforça a prioridade de abastecer países árabes, evitando redirecionamento de cargas. Na prática, isso significa maior uso das instalações de Abu Dhabi, Dammam e Al Jubail para processar e distribuir produtos que chegam do Brasil.
A fábrica de processados em construção em Jeddah, orçada em US$ 160 milhões, deve ampliar ainda mais a necessidade de matéria-prima brasileira quando entrar em operação, prevista para 2027. Com isso, produtores nacionais podem ter novas janelas de venda e contrato, principalmente aqueles que já atendem protocolos halal ou buscam certificação.
Próximos passos e efeito na cadeia
Embora o acordo não especifique cronograma de expansão, fontes de mercado avaliam que parte do volume adicional possa começar a ser embarcada já no segundo semestre, dependendo de habilitações sanitárias. Fica o alerta: frigoríficos interessados precisam manter padrões de bem-estar animal, rastreabilidade e exigências halal em dia para não perder a vaga.
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Crédito da imagem: Globorural.globo Fonte: Globorural.globo
