Luciano Borges Ribeiro morre e deixa legado na raça Nelore
Luciano Borges Ribeiro – reconhecido selecionador de Nelore e referência em genética bovina no país – faleceu nesta semana, gerando comoção entre criadores e profissionais que atuam no melhoramento dos rebanhos comerciais. A perda interrompe a trajetória de um dos nomes que mais influenciaram as linhas de sangue da raça dominante nos pastos brasileiros, mas também reacende o debate sobre a continuidade de programas de seleção que sustentam produtividade, eficiência alimentar e precocidade de abate na pecuária de corte.
Por que o falecimento mobiliza todo o setor
O Nelore responde por mais de 80 % do rebanho de corte no Brasil, segundo a Embrapa. Nesse contexto, a atuação de Ribeiro ia além das pistas de julgamento: ele aplicava critérios de desempenho em ganho de peso, rendimento de carcaça e adaptação a pastagens tropicais, fundamentos hoje replicados em centrais de inseminação e projetos de cruzamento industrial. A ausência do selecionador coloca em evidência a necessidade de sucessão técnica nas fazendas que fornecem material genético de ponta.
Impacto prático para criadores e investidores
Na prática, produtores que utilizam sêmen ou touros oriundos do rancho comandado por Ribeiro devem redobrar o acompanhamento de índices zootécnicos para manter a consistência do plantel. Consultores destacam três frentes imediatas:
- Revisar metas de Dep (Diferença Esperada na Progênie) para ganho de peso e precocidade sexual;
- Garantir continuidade de registros genealógicos e avaliações genômicas já em andamento;
- Planejar leilões ou reposições com parceiros que partilhem a mesma filosofia de seleção.
O ponto que mais chama atenção é o risco de perda de uniformidade se os critérios do programa original forem abandonados. Ao mesmo tempo, abre-se espaço para novos investidores entrarem em projetos de genética, dada a valorização crescente de touros provados na raça.
Legado consolida tendência de profissionalização
Ribeiro foi um dos primeiros a adotar avaliações de desempenho em larga escala no início dos anos 2000, quando o tema ainda não era consenso. Esse histórico fortaleceu a percepção de que seleção baseada em dados traz retorno econômico direto, tendência que se intensifica com ferramentas digitais de coleta de informação no pasto. A trajetória do criador, portanto, serve de paradigma para pecuaristas que buscam sair do modelo empírico para decisões sustentadas por métricas objetivas.
Mesmo diante da perda, o setor deve acompanhar como o projeto genético será conduzido pelos herdeiros e parceiros técnicos. Para seguir informado sobre mudanças relevantes no agronegócio e seus impactos no campo, continue explorando a cobertura completa em nosso portal.
Crédito da imagem: Comprerural Fonte: Comprerural
