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Leite importado: Câmara avança em proibição a compras públicas

Leite importado pode ficar fora do cardápio de prefeituras, escolas e hospitais mantidos pelo governo. O Projeto de Lei 2.353/2011 recebeu parecer favorável na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados e avança para votação, abrindo caminho para proibir que órgãos públicos comprem o produto estrangeiro — medida que, na prática, pode aliviar a pressão de preços sobre os produtores nacionais.

O que muda nas licitações públicas

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O texto relatado pelo deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), que também preside a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), inclui um dispositivo na Lei de Licitações e Contratos Administrativos. A regra é direta: órgãos públicos não poderão adquirir leite de origem estrangeira. A exceção só vale quando não houver oferta nacional suficiente, hipótese em que o gestor terá de justificar a importação antes de fechar contrato.

Embora pareça um detalhe burocrático, a alteração impacta imediatamente merendas escolares, programas de distribuição de alimentos e compras institucionais que, somadas, respondem por milhares de litros diários. Para produtores e cooperativas, trata-se de uma demanda antiga: garantir espaço para a produção doméstica em um período marcado por custos elevados e margens apertadas.

Pressão do campo sustenta avanço da proposta

A aceleração do projeto ocorre em meio à escalada das importações, sobretudo da Argentina e do Uruguai, que chegaram ao Brasil com preços até 30 % menores em determinados períodos de 2023 e 2024. Segundo a FPA, a entrada de leite estrangeiro contribuiu para derrubar as cotações internas, comprimindo a renda de milhares de produtores familiares.

Entidades setoriais argumentam que o programa de compras governamentais deveria funcionar como amortecedor de mercado, priorizando quem produz no país. Já os defensores da concorrência lembram que a medida reduz a flexibilidade de preço para o poder público. O parecer da CCJC, porém, considerou que a proposta não fere princípios constitucionais e pode seguir tramitação regular.

Para o Ministério da Agricultura, que acompanha de perto o tema da cadeia produtiva do leite, a discussão é estratégica: o Brasil possui mais de 1 milhão de fazendas leiteiras, majoritariamente de pequeno porte, cuja sustentabilidade depende de preços minimamente estáveis.

Próximos passos e possíveis impactos na fazenda

Com o aval da CCJC, o projeto deve ser votado pelo colegiado nas próximas sessões e, se aprovado, segue para o Plenário da Câmara. Depois, ainda precisará passar pelo Senado. Na prática, produtores enxergam três consequências imediatas caso a lei entre em vigor:

  • Demanda garantida – Programas federais e estaduais tenderiam a comprar leite interno, sustentando volumes mesmo em épocas de baixa.
  • Menor volatilidade de preço – A redução de importações pode limitar picos de oferta e ajudar a equilibrar o mercado.
  • Margem operacional – Com preços menos pressionados, a rentabilidade por litro tende a melhorar, incentivando investimento em produtividade.

Do lado da indústria e dos gestores públicos, o desafio será comprovar falta de produto nacional caso precisem recorrer ao leite estrangeiro — um controle que exigirá dados de estoque e produção atualizados.

O detalhe que mais chama atenção é o timing: a discussão acontece exatamente quando muitos produtores revisam custos para a próxima safra e buscam alternativas de renda. Para acompanhar mais análises sobre produtividade, custos e gestão econômica no campo, visite nossa editoria de lavoura digital e econômica.

Crédito da imagem: Canalrural Fonte: Canalrural

Francisco devruk

Francisco

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