Inovação Agro

Jumentos viram ativo bilionário e ganham espaço no agro

Jumentos começam a sair da condição de animal negligenciado para integrar uma cadeia estimada em cifras bilionárias, impulsionada principalmente pela demanda da China por couro e subprodutos. Com um rebanho de 730 mil cabeças no Brasil, o movimento abre nova frente de renda para criadores e pode reduzir o abandono desses animais no semiárido.

Cresce a procura pelo couro e subprodutos

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Segundo especialistas citados pela reportagem original, o mercado chinês vê no jumento matéria-prima estratégica para a produção de ejiao, um insumo tradicional na medicina oriental que utiliza gelatina extraída da pele do animal. O apetite asiático transformou o abate de jumentos em uma atividade economicamente viável, com projeções que ultrapassam a casa do bilhão de dólares. Países africanos já surfam nessa onda, e o Brasil aparece como alternativa competitiva pela oferta de animais e pela localização logística.

O valor da carcaça é apenas parte da conta. Couro, ossos e até vísceras entram na equação de faturamento, elevando a margem para frigoríficos que se adaptam a esse nicho. Para o produtor rural, a possibilidade de venda regular cria incentivo direto à criação comercial, algo inédito para uma espécie historicamente associada ao animal de tração ou simplesmente descartada.

Impacto econômico e social no semiárido

A maior concentração de jumentos brasileiros está em áreas de caatinga, onde o abandono se tornou problema recorrente após a mecanização do transporte. Ao enxergar valor no animal, a nova cadeia pode gerar postos de trabalho regionais, fomentar pequenos empreendimentos de engorda e estimular consórcios de produtores. Pesquisadores da Embrapa observam que, além de renda, o manejo adequado reduz riscos ambientais de animais soltos em estradas e pastagens nativas.

Para ganhar escala, o setor ainda enfrenta desafios sanitários, definição de protocolos de bem-estar e necessidade de frigoríficos habilitados. A expectativa é que, com regras claras, o Brasil consolide rotas de exportação e atraia investimentos para genética e nutrição específica, tal como ocorreu com o mercado de ovinos há uma década.

O que muda na prática para o produtor

Na fazenda, a mudança mais visível é transformar um passivo em ativo: animais antes sem valor passam a ser classificados, pesados e comercializados. Produtores podem organizar lotes por peso e condição corporal, negociar contratos de fornecimento e integrar rebanhos ociosos a sistemas semi-confinados de curta duração. O modelo exige baixo investimento inicial, já que os jumentos se adaptam bem a pastagens rústicas.

Outro ponto que chama atenção é a possível reabertura de linhas de crédito rural direcionadas a espécies não convencionais, reforçando a profissionalização da criação. Na ponta final, frigoríficos adaptados garantem escala mínima de abate, condição vista como crucial para acessar compradores internacionais.

Esse avanço sinaliza uma oportunidade de eficiência econômica no campo capaz de transformar a realidade de centenas de pequenos criadores. Para acompanhar mais pautas sobre rentabilidade e novos nichos no agro, siga navegando em nossa editoria dedicada.

Crédito da imagem: Comprerural Fonte: Comprerural

Francisco devruk

Francisco

Transformando visão em realidade através da dedicação, da técnica e do compromisso com a excelência

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