JBS Biotech abre centro de US$ 37 mi e mira superproteínas
JBS Biotech iniciou operação nesta quarta-feira (1/4) em Florianópolis (SC) com um investimento de US$ 37 milhões para acelerar o desenvolvimento de superproteínas e ingredientes “clean label”. A iniciativa reúne mais de 20 laboratórios em 4 mil m² e promete impactar desde a formulação de produtos mais saudáveis até a valorização de coprodutos do abate, abrindo novas frentes de receita para toda a cadeia animal.
Laboratórios conectados do DNA à validação industrial
Instalado no Sapiens Parque, polo que concentra empresas e universidades, o complexo foi desenhado para cobrir todo o ciclo de inovação: pesquisa básica, engenharia de processos e testes em escala piloto. Segundo o CEO global da companhia, Gilberto Tomazoni, a estrutura permite “desenvolver desde proteínas funcionais até soluções que reduzam aditivos”, impulsionando rótulos mais curtos e naturais.
Entre as linhas de trabalho estão peptídeos com propriedades antioxidantes e antimicrobianas capazes de prolongar a vida útil dos alimentos sem conservantes sintéticos. O centro também manterá um biobanco com armazenamento criogênico de amostras biológicas, recurso valioso para mapear perfis nutricionais e avançar em nutrição personalizada.
Impacto direto para frigoríficos, fornecedores e pecuaristas
Na prática, o avanço em superproteínas pode gerar matérias-primas de maior valor agregado para rações, suplementos ou novos cortes funcionais, ampliando a margem de quem produz e processa carne. Além disso, o mapeamento de subprodutos hoje pouco explorados — como colágeno, hemoglobina ou frações proteicas — abre caminho para aplicações em cosméticos, fármacos e ingredientes especiais.
Para produtores rurais, o movimento sinaliza demanda futura por carcaças com perfis específicos de aminoácidos ou peptídeos, tendência que já ganha força em mercados premium. O gerenciamento de dados nutricionais também pode criar sistemas de bonificação por qualidade, algo semelhante ao que já ocorre com marmoreio e rendimento de carcaça.
Clean label: tendência que se fortalece na indústria global
O centro catarinense nasce alinhado à busca mundial por rótulos sem substâncias artificiais. De acordo com levantamento da Embrapa, o consumo de alimentos com apelo natural cresce, em média, 8% ao ano. Ao internalizar pesquisa de ingredientes antioxidantes e antimicrobianos naturais, a JBS reduz dependência de aditivos químicos e amplia competitividade em mercados exigentes como União Europeia e Estados Unidos.
Nova peça na estratégia de proteína cultivada
A inauguração reforça um roteiro iniciado em 2021, quando a empresa adquiriu a espanhola BioTech Foods por US$ 100 milhões. Parte do valor — US$ 41 milhões — foi destinada a uma fábrica de carne cultivada na Espanha; o restante financiou o atual centro de P&D no Brasil. Com isso, a companhia passa a ter hubs de inovação em ambos os hemisférios, posicionando-se para escalar tecnologias de cultivo celular assim que houver regulação favorável.
Ao anunciar o JBS Biotech, a companhia indica que pesquisa avançada e aproveitamento integral da matéria-prima serão pilares da próxima fase do negócio. Para acompanhar outras iniciativas que estão redesenhando o futuro do agronegócio, visite a página inicial do nosso portal e siga as atualizações diárias.
Crédito da imagem: Agfeed Fonte: Agfeed
