Fixação de preços do açúcar cobre 55% da safra 26/27
Fixação de preços do açúcar avançou rapidamente em março: usinas brasileiras já travaram 55% do volume que pretendem exportar na safra 2026/27, segundo a Archer Consulting. O movimento, motivado pela disparada do petróleo no início da crise no Oriente Médio, garante preço médio de R$ 2.217 por tonelada FOB Santos e pode redefinir a margem das usinas nos próximos meses.
Janela de petróleo caro impulsionou hedges antecipados
Entre fevereiro e março foram fixados 5,7 milhões de toneladas de açúcar demerara na Bolsa de Nova York a 16,15 centavos de dólar por libra-peso. O volume, calculado pela Archer, supera em muito o ritmo observado no mesmo período do ano passado, embora ainda fique um terço abaixo do percentual já travado para a safra 2025/26 em março de 2025.
A corrida aconteceu quando o barril passou de US$ 100, aumentando a expectativa de demanda por etanol e, por consequência, valorizando o açúcar. Para quem vende, era a oportunidade de proteger preços antes que as cotações recuassem. Hoje, o contrato maio/24 opera em 13,84 centavos, quase 15% abaixo do valor médio das fixações recentes.
O consultor Arnaldo Corrêa lembra que o próprio volume travado limitou a reação do mercado: “o fluxo de vendas segurou a recuperação das cotações”. Dados de mercado da Conab confirmam que a safra segue robusta, mantendo pressão sobre os preços internacionais.
Queda do açúcar e valorização do real apertam a margem das usinas
Além do recuo nos futuros, as exportações enfrentam o câmbio menos favorável. A moeda brasileira se fortaleceu frente ao dólar ao longo de março, reduzindo o valor recebido em reais por tonelada embarcada. A Archer projeta queda de 20% a 25% na receita das usinas nesta safra se a combinação de dólar mais baixo e açúcar mais barato persistir.
Na prática, gestores devem reavaliar estratégias: quem possui etanol estocado pode aproveitar eventual volta da paridade com a gasolina, enquanto quem ainda não completou hedge precisará monitorar as próximas movimentações no petróleo e no câmbio.
Os números reforçam a importância da gestão de risco em tempos de volatilidade. Para acompanhar outras análises sobre rentabilidade, custos e eficiência no campo, visite nossa editoria Lavoura Digital & Econômica.
Crédito da imagem: Globorural.globo Fonte: Globorural.globo
