Fertilizantes Heringer troca CEO e mira ajuste financeiro
Fertilizantes Heringer acaba de trocar de comando pela quarta vez em menos de 12 meses: o executivo Danill Bazdyrev assume a presidência e, ao mesmo tempo, a vice-presidência do Conselho de Administração, com a missão explícita de conter perdas e colocar as contas da companhia nos trilhos.
Quarta mudança em um ano reforça pressão por resultados
A renúncia de Gustavo Oubinha Barreiro, oficializada em fato relevante na noite de 9 de abril, encerrou a passagem de apenas 60 dias do executivo pelo cargo. Antes dele, outras três gestões curtas ilustram o clima de instabilidade: Gustavo Horbach saiu em julho / 23, Rodrigo Horta durou 51 dias e Sérgio Longhi Castanheiro resistiu seis meses até fevereiro deste ano.
Com pós-graduação em Gestão Financeira e 15 anos de experiência nos setores de óleo & gás, petroquímica e logística, Bazdyrev traz no currículo disciplina de custos, gestão de fluxo de caixa e relacionamento com stakeholders — atributos destacados pela controladora Eurochem no comunicado.
Foco será sanear dívidas e retomar competitividade
O novo CEO assume uma empresa que ainda sente o peso da recuperação judicial iniciada em 2019. Embora o prejuízo de 2023 (R$ 172 milhões) tenha caído 85 % frente aos R$ 1,1 bilhão de 2022, a operação segue no vermelho. A receita líquida encolheu 11,1 %, para R$ 4 bilhões, e o Ebitda permaneceu negativo em R$ 176,1 milhões. O caixa, de apenas R$ 100,5 milhões ao fim do ano, limita manobras mais ousadas.
Para aliviar a tesouraria, a companhia já captou US$ 19,5 milhões (cerca de R$ 100 milhões) junto à Eurochem, verba destinada a refinanciar dívidas e manter as atividades. Esse reforço, somado à chegada de Bazdyrev, sinaliza uma estratégia centrada na saúde financeira antes de qualquer expansão.
O desafio não se restringe à folha de balanço. O mercado de fertilizantes vem esfriando após o pico de demanda de 2022. Segundo a Conab, as entregas ao consumo interno caíram cerca de 8 % em 2023, pressionando margens de indústrias que, como a Heringer, atuam no mix de produção local e importação.
O que muda para fornecedores e clientes no campo
Na prática, revendas e produtores devem acompanhar de perto eventuais ajustes logísticos, prazos de entrega e política de preços. A Heringer opera hoje 14 unidades, mas parte delas segue hibernada; decisões sobre retomada ou encerramento definitivo podem alterar rotas de abastecimento, sobretudo em polos como Rio Verde (GO) e Dourados (MS).
Para o fornecedor de matéria-prima, a ênfase em disciplina financeira tende a significar maior rigor na liberação de crédito e possíveis renegociações. Já o cliente final deve monitorar se a prometida gestão de custos refletirá em ofertas mais competitivas ou em ganhos de eficiência no suporte técnico.
O cenário segue em construção e novas definições estratégicas podem surgir nos próximos meses. Para continuar acompanhando movimentações que impactam diretamente cadeias de suprimento e gestão de insumos agrícolas, visite a nossa editoria completa.
Crédito da imagem: Agfeed Fonte: Agfeed
