Febre aftosa na China: alerta e abate de 6,2 mil bovinos
Febre aftosa na China provocou o sacrifício imediato de 6.229 bovinos em Gansu e Xinjiang, endureceu o controle de fronteiras com países vizinhos e acelerou a liberação emergencial de novas vacinas contra o inédito sorotipo SAT-1, apontado pela autoridade sanitária chinesa como introduzido do exterior.
Sorotipo africano SAT-1 aparece pela primeira vez no país
Segundo o Ministério da Agricultura chinês, a cepa identificada — endêmica na África e até então ausente no território chinês — foi confirmada em rebanhos afetados no último fim de semana. As equipes locais iniciaram a desinfecção das fazendas e o abate sanitário para conter a circulação do vírus.
Analistas lembram que as vacinas usadas hoje no país cobrem apenas os sorotipos O e A, comuns na Ásia. Por isso, a chegada do SAT-1 coloca pressão extra sobre a vigilância sanitária e expõe vulnerabilidades do maior produtor mundial de proteínas animais.
Fronteiras vigiadas e imunização emergencial
As províncias de Xinjiang e Gansu receberam ordem de intensificar patrulhas para coibir contrabando de animais e cargas vivas vindas do Cazaquistão, Rússia e Mongólia. A preocupação é que a doença avance por rotas comerciais terrestres ou aerossóis — forma de transmissão mais forte nesse sorotipo, apontam técnicos.
Duas vacinas específicas para SAT-1, desenvolvidas pela Zhongnong Weite Biotechnology, obtiveram registro de uso emergencial e podem chegar ao mercado em até 30 dias, segundo o banco nacional de medicamentos veterinários. A rápida homologação indica a tentativa de criar um cinturão de imunidade antes do período de maior movimentação de gado no país.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde Animal (WOAH), surtos envolvendo SAT-1 costumam registrar mortalidade superior a 50% em animais jovens, com alto potencial de disseminação aérea.
Impacto para pecuaristas e mercado global de carne
Com o segmento pecuário chinês já pressionado por excesso de oferta e queda de preços, consultores como Rosa Wang, da Shanghai JC Intelligence, alertam para o “risco de perdas ainda maiores” caso a enfermidade fuja ao controle. O analista Xu HongZhi, da Orient Agribusiness, prevê movimentação nos preços internos: queda inicial por receio de contágio, seguida de alta caso o governo amplie os abates e reduza a oferta.
Para produtores brasileiros, o episódio serve de sinal amarelo. Além de reforçar protocolos de biossegurança nas fazendas, vale monitorar possíveis restrições de importação chinesas a parceiros que não comprovem status sanitário robusto, o que pode reconfigurar fluxos de carne bovina no curto prazo.
O surto ocorre pouco depois de relatos, ainda não confirmados oficialmente, de focos semelhantes na Rússia. Se Moscou não comprovar seu status sanitário, Pequim pode impor barreiras a produtos russos, abrindo espaço a exportadores com certificação livre de aftosa sem vacinação, como algumas regiões do Brasil.
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Crédito da imagem: Forbes Fonte: Forbes
