Exportações do agronegócio gaúcho sobem 9,1% em valor
Exportações do agronegócio gaúcho cresceram 9,1% em valor em março de 2026, atingindo US$ 1,10 bilhão, mesmo com o volume praticamente estável em 1,95 milhão de toneladas. O resultado, compilado pela Farsul, indica mudança na composição da pauta: itens de maior preço por tonelada – como milho, trigo e proteínas animais – sustentaram a receita e mostram oportunidade de margem para produtores e indústrias do Rio Grande do Sul.
Proteínas e grãos puxam alta de receita
A guinada veio sobretudo das proteínas. A carne bovina saltou 41,6% em valor e 7,7% em volume graças ao retorno dos embarques para a China, ausentes em março de 2025. Na carne de frango in natura, a valorização foi de 21,9%, com avanço de 12% em toneladas, reflexo da retomada de compras na Ásia e na Europa. Já a carne suína teve o desempenho mais robusto: +74,7% em faturamento e +70% em volume, impulsionada pela demanda das Filipinas, Malásia e Chile.
Entre os grãos, o milho se destacou – ao lado do trigo – como contraponto às perdas da soja. O trigo exportado subiu mais de 40% tanto em valor quanto em volume, mesmo em um mercado global competitivo com ampla oferta argentina. O milho, por sua vez, ganhou espaço na África, favorecendo o incremento de receita.
Soja e celulose limitam crescimento de tonelagem
O lado negativo ficou com a soja em grão e derivados, que recuaram mais de 50% em valor e em toneladas na comparação anual. A celulose também sofreu baque: -28,1% na receita e -55,4% no volume, pressionada pela retração dos embarques a Estados Unidos, China e Itália. Esses dois grupos evitaram que o aumento de valor se traduzisse em elevação de tonelagem total.
Mesmo assim, o agronegócio respondeu por 66,2% do faturamento total do Estado (US$ 1,67 bilhão) e 89,3% do volume exportado, reforçando a primazia do setor na balança gaúcha.
Diversificação de destinos reduz dependência chinesa
A participação da China no valor exportado caiu de 20,2% para 11,8%, abrindo espaço para novos mercados. O Egito assumiu a liderança entre os compradores em março, com US$ 160,4 milhões (14,5% da pauta). Ásia (exceto Oriente Médio) manteve a ponta por bloco econômico, seguida por África e Europa. A dispersão geográfica diminui riscos cambiais e geopolíticos para as cadeias produtivas locais.
No trimestre, porém, o cenário ainda é de ajuste: de janeiro a março, as vendas externas do agro gaúcho somaram US$ 3,06 bilhões, queda de 6,5% frente ao mesmo período de 2025, com recuo de 9,3% em tonelagem. Segundo a Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), a menor dependência de grãos tradicionais e a aposta em proteínas devem amenizar o impacto ao longo do ano.
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Crédito da imagem: Maissoja Fonte: Maissoja
