Exportações de carne bovina sobem 19% e acendem alerta na China
Exportações de carne bovina brasileiras fecharam o primeiro trimestre de 2026 em 701,6 mil toneladas, salto de 19,7% sobre igual período de 2025 e novo recorde histórico, puxado sobretudo pelos embarques à China. O avanço sustenta preços mais firmes da arroba no mercado interno e levanta a preocupação de o país atingir antes do previsto a cota de 1,1 milhão de toneladas liberada por Pequim para todo o ano.
Recorde de volume reforça preços no campo
Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que somente em março o valor médio pago pela tonelada da proteína atingiu US$ 5.814,80, alta mensal de 3% e anual de 18,7%. Para o produtor, isso se traduz em boi gordo mais valorizado: a demanda externa intensa enxuga a oferta interna e sustenta a arroba, confirmaram analistas na TRANSMISSÃO: Record exibida nesta semana.
Na avaliação de Beatriz Bianchi, da Datagro, a combinação de oferta restrita nos frigoríficos e controle rígido de qualidade imposto pelas plantas habilitadas ao mercado asiático abriu espaço para reajustes sucessivos nos contratos de exportação.
Cota chinesa pode ser preenchida antes do segundo semestre
O ritmo de embarques para o maior comprador da proteína brasileira impressiona. Em março, foram 102 mil toneladas enviadas ao gigante asiático, superando o volume do mesmo mês de 2025, quando o fluxo já era considerado acelerado. Mantido o atual padrão, o teto de 1,1 milhão de toneladas definido por Pequim para 2026 pode ser alcançado ainda no terceiro trimestre, exigindo realocação de cargas ou possível desaceleração dos abates voltados a esse destino.
Para ilustrar o impacto: caso a cota seja estourada, lotes adicionais ficariam sujeitos a tarifa de 12%, o que reduziria a competitividade brasileira frente a concorrentes como Austrália e Estados Unidos, lembra o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
Diversificação avança, mas China ainda dita o ritmo
Apesar do apetite chinês, a participação do país asiático no mix de destinos recuou para 46,4%, menor fatia em seis anos. O avanço de mercados como Emirados Árabes, Filipinas e Estados Unidos ajuda a diluir riscos, mas não elimina a dependência: cada variação na política de importação chinesa segue capaz de mexer com a rentabilidade de todo o sistema produtivo.
Na prática, frigoríficos já revisam a programação de abate, enquanto pecuaristas avaliam alongar confinamentos para capturar eventuais picos de preço. A recomendação de consultorias é acompanhar de perto a evolução da cota e negociar travas de câmbio para proteger margens diante da possível turbulência no terceiro trimestre.
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Crédito da imagem: Canalrural Fonte: Canalrural
