Erva-mate B2B da Leão mira mercado global e novos usos
Erva-mate entra na mira da Leão Alimentos como aposta para dobrar faturamento até 2030, agora em formato B2B e com aplicações que vão muito além do tradicional chá vendido nas praias do Rio.
Estratégia quer repetir o “efeito açaí” no exterior
Líder com 57,3 % do mercado brasileiro de chás e receita de R$ 1,13 bilhão, a Leão — controlada pela Coca-Cola — intensificou presença em feiras internacionais para apresentar a Ilex paraguariensis a compradores de Estados Unidos, Canadá, Espanha, Portugal, Japão, Oriente Médio e, mais recentemente, Índia e Canadá. “A erva-mate tem potencial de virar tendência global como ocorreu com o açaí e o guaraná”, afirma Alessandro Pendiuk, head de supply chain.
A guinada inclui a venda direta de erva-mate verde e tostada a outras empresas, com cortes padronizados e embalagens de 20 kg ou 400 kg. O modelo B2B sustenta o plano de quase dobrar o Ebitda até o fim da década, meta que exige “corredores estratégicos” de receita, segundo o executivo.
Do mate tostado ao verde: novos nichos de mercado
A Leão dominou o know-how da erva tostada — base do famoso Matte gelado —, mas enxerga na erva-mate verde a porta de entrada para segmentos como fármacos, nutrição animal, perfumaria e alimentos funcionais. Barras de cereais e produtos veganos, por exemplo, tendem a preferir o extrato verde pelo perfil nutricional preservado.
Sem planos de fabricar produtos prontos em modelo white label, a companhia oferece suporte técnico para cocriação de fórmulas com seus clientes. O processo envolve o time de P&D da Leão em discussões que combinam preço, padronização e inovação. “Queremos romper a barreira da xícara”, resume Pendiuk.
Logística e cadeia de fornecimento dão fôlego à expansão
Quatro centros de distribuição — Osasco (SP), Contagem (MG), Rio de Janeiro (RJ) e Olinda (PE) — permitem entregar 70 % dos pedidos em até 48 h no Brasil. No campo, a matéria-prima vem de 12 ervateiras que reúnem pequenos e médios produtores do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Só em 2024 foram compradas mais de 7 mil t de folha.
Para quem produz, a ofensiva da Leão sinaliza demanda consistente, preços potencialmente firmes e possibilidade de contratos de longo prazo, já que o mercado externo valoriza ingredientes regionais de origem rastreável. A empresa também reforça que a disponibilidade de capacidade industrial é limitada, o que mantém o foco no fornecimento de matéria-prima e não na terceirização de envasamento.
Na prática, o produtor que ingressar na cadeia da Leão pode se beneficiar de especificações claras de colheita, corte e secagem, reduzindo perdas e aumentando previsibilidade de compra. Já indústrias interessadas ganham acesso a um ingrediente padronizado, com entrega ágil e suporte técnico, sem precisar montar estrutura própria de extração.
Próximos passos: feiras, parcerias e prova de conceito
Depois de apresentar o portfólio em Mumbai, a companhia confirmou presença em um evento no Canadá focado em ingredientes naturais. A meta é fechar pilotos com empresas desses países ainda em 2024, testando a adaptação da erva-mate a bebidas energéticas, suplementos e ração de alto desempenho.
Segundo nota da Embrapa Florestas, o Brasil colheu mais de 1 milhão de toneladas de erva-mate em 2023, sinal de oferta suficiente para sustentar a escalada prevista pela Leão se a demanda global avançar.
O movimento da Leão reforça a busca por produtividade e eficiência econômica na cadeia de ingredientes naturais. Para acompanhar mais análises sobre rentabilidade e tendências de mercado no agro, continue navegando em nossa editoria.
Crédito da imagem: Agfeed Fonte: Agfeed
