Encontro das Mulheres Agricultoras festeja 40 anos em Farroupilha
Encontro das Mulheres Agricultoras completou 40 anos nesta quinta-feira, 26, em Farroupilha (RS), reunindo produtoras rurais para uma agenda que começou às 9h na sede do Sintrafar e destacou conquistas históricas, novas reivindicações e a inauguração de um Banco Vermelho – símbolo mundial de alerta contra a violência de gênero.
Quatro décadas de mobilização feminina no campo
A edição comemorativa reforçou o protagonismo das mulheres rurais desde 1984, quando o encontro surgiu como espaço de troca de experiências e pressão política por melhores condições de trabalho. Hoje, o evento já é referência no município e inspira grupos similares em outras regiões, segundo a vice-presidente do Sintrafar e coordenadora da iniciativa, Suzana Maggioni Bertuol.
Logo na abertura, a dirigente lembrou avanços obtidos ao longo dos anos, como maior acesso a capacitações técnicas, participação em cooperativas e representatividade em conselhos agrícolas. Para ela, manter o encontro ativo “é garantir que a voz feminina continue influenciando decisões sobre crédito rural, assistência técnica e políticas de proteção social no campo”.
Caminhada, Banco Vermelho e pauta de reivindicações
Após a abertura, as participantes seguiram em caminhada até o Salão da Comunidade Luterana, onde ocorreram a palestra central, o resgate histórico do movimento e um almoço festivo. O momento mais simbólico foi a instalação do Banco Vermelho, peça que integra campanha internacional contra a violência doméstica e que agora passa a fazer parte da paisagem urbana de Farroupilha.
Na sequência, o grupo apresentou às autoridades presentes uma lista de novas demandas, incluindo expansão de programas de saúde da família no meio rural, incentivos para produção agroecológica liderada por mulheres e linhas de crédito específicas para a sucessão familiar. Segundo dados da FAO, produtoras que recebem apoio direcionado tendem a incrementar a produtividade em até 20%, o que reforça o potencial econômico de políticas com recorte de gênero.
Por que o protagonismo feminino importa para a gestão rural
Na prática, a participação ativa das agricultoras impacta diretamente indicadores de eficiência e sustentabilidade. Mulheres costumam adotar com mais rapidez boas práticas de manejo, diversificar fontes de renda e investir parte maior da receita em saúde e educação da família, apontam estudos da Embrapa. Para as propriedades, isso se traduz em maior resiliência financeira e melhoria da qualidade de vida no campo.
Outra consequência é o fortalecimento de redes de cooperação. Ao longo do dia, as produtoras trocaram contatos para futuros grupos de compras coletivas de insumos, o que pode reduzir custos logísticos e ampliar o poder de negociação junto a fornecedores.
O encontro foi encerrado com atividades recreativas e o compromisso de retomar, em 2025, a avaliação das demandas apresentadas. Para acompanhar outras iniciativas que conectam gestão, inovação e fortalecimento social no agro, acesse nossa página principal.
Crédito da imagem: Spacofm Fonte: Spacofm
