Agrorobótica e Gestão de Dados

Defensivos agrícolas: conflito pressiona compra antecipada

Publicidade

Defensivos agrícolas viraram prioridade de compra nas últimas semanas, impulsionados pela escalada do petróleo provocada pelo conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã. O movimento, percebido em feiras e distribuidores, revela a busca dos produtores por proteção de preço antes que os custos de formulação química avancem ainda mais.

Por que a tensão no Oriente Médio afeta o bolso do produtor

Publicidade

O petróleo mais caro encarece duas frentes críticas para o campo: fertilizantes e defensivos. Enquanto os nitrogenados brasileiros dependem diretamente do Irã e do trânsito instável no estreito de Ormuz, herbicidas, fungicidas e inseticidas sentem o efeito indireto da matéria-prima petroquímica. Segundo a Embrapa, até 60 % do custo de alguns ingredientes ativos está ligado a derivados do petróleo, o que explica a pressa do produtor em garantir lotes antes de novos ajustes.

A pressão é reforçada pela dependência da cadeia global: cerca de 40 % do petróleo consumido na China, principal sintetizadora de moléculas agrícolas ao lado da Índia, vem do Irã. Com o preço do barril instável, fábricas asiáticas operam no sistema “back to back” (vendem primeiro, compram depois), mas hoje têm dificuldade de precificar reposição de estoque, travando pedidos e elevando o risco de falta de produto.

Feiras revelam avanço nas vendas e mudança de estratégia

Na Tecnoshow Comigo 2026, em Rio Verde (GO), estandes de gigantes como Bayer, Corteva, Basf, Syngenta e Sumitomo ficaram lotados, enquanto o setor de máquinas aparentava menor movimento. William Weber, diretor comercial da Corteva para a região Norte, relata que as vendas superam o ritmo do ano passado graças à “antecipação para minimizar futuros aumentos”.

O mesmo cenário foi observado por Valdumiro Garcia, gerente regional da Ihara. Ele calcula que, em Rio Verde, cerca de 25 % do volume anual de defensivos já foi negociado; no Mato Grosso, o índice pode chegar a 50 %. “Os pacotes têm variação pequena versus 2024, e quem precisa deve decidir agora”, recomenda.

Cláudio Teoro, diretor de insumos da cooperativa Comigo, confirma: a expectativa é igualar, em valor, as vendas da última edição, quando R$ 1 bilhão em insumos foi negociado. A cooperativa levou à feira preços abaixo do custo de reposição, estimulando negócios imediatos.

Risco de margem apertada e espaço para soluções biológicas

Delcides Netto, diretor de vendas da Basf para a região Norte, lembra que o produtor já lida com crédito restrito e relação de troca desfavorável. A incerteza sobre a duração da guerra adiciona outro componente de risco: “Qualquer cessar-fogo não normaliza o mercado do dia para a noite; haverá período de acomodação”, adverte.

Publicidade

Diante da volatilidade, insumos biológicos ganham terreno. Produzidos majoritariamente no Brasil, eles dependem menos de insumos importados e frete marítimo. Garcia, da Ihara, enxerga os biológicos como “ferramenta de consórcio” para reduzir exposição ao petróleo e, no caso dos fertilizantes, cita o plantio de milho de verão como alternativa ao uso de nitrogenados importados.

O detalhe mais relevante é que a janela para travar preço competitivo pode se fechar rápido. Produtores, distribuidores e indústria correm contra o relógio para garantir estoque, enquanto o desfecho do conflito permanece imprevisível.

Para acompanhar mais notícias sobre manejo inteligente, controle de pragas e tecnologias de proteção da lavoura, visite nossa editoria de proteção inteligente no campo.

Crédito da imagem: Agfeed Fonte: Agfeed

Francisco devruk

Amiltom

Transformando visão em realidade através da dedicação, da técnica e do compromisso com a excelência

Bloqueador de Anúncios Ativado!

Por favos desligue o Bloqueador de Anúncios. Nosso blog sobrevive graças aos anúncios exibidos aqui.