Crédito rural soma R$404 bi e CPR lidera alta no Plano Safra
Crédito rural movimentou R$ 404 bilhões entre julho de 2025 e março de 2026, avanço de 10% sobre a safra anterior, impulsionado sobretudo pelas Cédulas de Produto Rural (CPR), que cresceram 38% e já respondem por quase metade dos recursos liberados. Para o produtor, o dado sinaliza que a fonte privada vem ganhando espaço frente às linhas tradicionais, abrindo alternativas de financiamento em pleno ciclo de taxas de juros elevadas.
CPR puxa expansão enquanto custeio e investimento encolhem
Do total contratado, R$ 387 bilhões foram efetivamente pagos aos agricultores, 5% acima do mesmo período do ciclo 2024/2025. O grosso do dinheiro — R$ 303,1 bilhões — foi destinado à produção, somando CPR e custeio. Ainda assim, as modalidades clássicas perderam fôlego:
- Custeio: contratações recuaram 11%; liberações caíram 15%.
- Investimento: queda de 16% nos contratos e 30% nos desembolsos.
- Comercialização: retração de 10% nas contratações e 16% nas concessões.
A Secretaria de Política Agrícola atribui o movimento à cautela diante do atual custo do dinheiro. Com a Selic ainda elevada e projeção de alívio só no fim de 2026, muitos produtores adiaram compras de máquinas e projetos de expansão, optando por modalidades de curto prazo ou renegociando fornecedores.
LCA dispara e muda o mapa das fontes de recursos
O boletim oficial mostra que as fontes não controladas ampliaram a fatia no crédito rural. A Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) controlada saltou 3.564%, atingindo R$ 26,9 bilhões. Nas operações livres, a LCA somou R$ 47,8 bilhões, enquanto a poupança rural livre avançou 39% e chegou a R$ 44,4 bilhões.
Já as fontes controladas somaram R$ 106,5 bilhões, queda de 7%. Um ponto que chama atenção é o crescimento de 19% dos Recursos Obrigatórios, agora em R$ 42,8 bilhões — sinal de que bancos mantêm interesse no segmento, mesmo com margens comprimidas.
Para conhecer mais detalhes sobre a distribuição das fontes e os critérios oficiais de equalização, o produtor pode consultar o site do Ministério da Agricultura (Gov.br), que disponibiliza boletins completos do Plano Safra.
Execução parcial indica espaço para novas contratações
Até março, apenas 38% dos R$ 113,4 bilhões com juros subsidiados previstos para 2025/2026 foram utilizados. O Banco do Brasil lidera a execução, enquanto Sicoob e Cresol se destacam no custeio. Na prática, ainda restam R$ 21,7 bilhões já contratados, mas não liberados, e outros R$ 48 bilhões disponíveis para novas operações até junho de 2026.
Entre os programas de investimento, somente o Prodecoop cresceu — 20%, chegando a R$ 900 milhões. O número total de contratos caiu 24%, de 534 mil para 408 mil, reforçando a tendência de seletividade em meio ao aperto financeiro.
Com CPR em alta, LCA ganhando força e juros ainda pressionando o investimento, o produtor precisa avaliar custos e prazos antes de decidir a próxima safra. Para seguir acompanhando análises sobre eficiência econômica e gestão de custos no campo, visite nossa editoria dedicada a lavoura digital e economia rural.
Crédito da imagem: Canalrural Fonte: Canalrural
