Inovação Agro

Corantes naturais por fermentação ganham escala com Michroma

Corantes naturais por fermentação acabam de dar um passo decisivo rumo à produção em larga escala. A foodtech Michroma, que usa fungos filamentosos para criar pigmentos estáveis ao calor e ao pH, fechou parceria com a sul-coreana CJ CheilJedang, uma das maiores empresas de fermentação do mundo. O movimento chega em meio à pressão global – impulsionada pela onda MAHA (sigla em inglês para “Alimentação Mais Saudável para Adolescentes”) – para substituir corantes sintéticos como o Red #3 e o Red 40, alvo de restrições nos Estados Unidos e Europa.

Estabilidade térmica e pH: vantagem prática na indústria

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Diferentemente de extratos vegetais, que perdem cor no forno ou na pasteurização, os pigmentos da Michroma mantêm tonalidade mesmo em processos severos de cozimento e extrusão. Segundo a startup, o corante Red+ rende mais que o pó de beterraba: é necessário um volume muito menor para atingir a mesma intensidade, o que reduz custo por quilo de produto final e simplifica a formulação. A empresa, que utiliza ferramentas de edição gênica CRISPR para elevar rendimento, já trabalha em laranja, amarelo, magenta, azul e até um branco capaz de substituir o dióxido de titânio.

A robustez da fermentação também mira outro gargalo: a oferta. Plantas e insetos — bases tradicionais de corantes naturais — dependem de safras, clima e logística complexa. Em um cenário de transição acelerada para rótulos “clean label”, a demanda pode crescer de 20 a 50 vezes, impossibilitando o suprimento agrícola convencional. Fermentadores, por sua vez, rodam 24/7, não dependem de estações e permitem lotes padronizados.

Para o gestor de P&D de alimentos, isso significa previsibilidade de entrega, menor variação de cor entre lotes e redução de riscos regulatórios ligados a falhas de safra ou matérias-primas de origem animal, como a cochonilha (carmim).

Parceria com CJ CheilJedang acelera produção industrial

Escalar bioprodutos costuma esbarrar em duas barreiras: capital para construção de plantas e know-how em downstream. Ao se aliarem, Michroma e CJ combinam tecnologia proprietária e capacidade fabril já instalada, encurtando o chamado “vale da morte” entre piloto e volume comercial. A meta é colocar toneladas de corante natural no mercado ainda antes de 2025, atendendo grandes fabricantes que anunciaram publicamente a eliminação de corantes artificiais nos próximos 12 a 24 meses.

No front regulatório, a Food and Drug Administration (FDA) dos EUA vem acelerando aprovações de novos aditivos – foram sete liberações em 2023 contra dez em toda a década anterior. A tendência abre espaço para que os pigmentos fúngicos cheguem às prateleiras norte-americanas rapidamente, beneficiando desde bebidas até snacks extrusados.

Apesar do otimismo, o CEO Ricky Cassini reconhece desafios: controlar morfologia de fungos no biorreator, manter altos títulos de produção e baratear o processo contínuo. Mesmo assim, a empresa vê potencial não só em corantes, mas em aromas, conservantes e outros ingredientes de alto valor, onde a margem compensa o investimento inicial.

O detalhe que mais chama atenção é o alinhamento com a agenda de grandes marcas: ao oferecer desempenho equivalente ao sintético, mas com selo natural, a fermentação pode destravar um mercado multibilionário e criar nova fronteira para a bioeconomia.





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Crédito da imagem: Agfundernews Fonte: Agfundernews

Francisco devruk

Francisco

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