Controle do capim-pé-de-galinha no milho ganha força com herbicidas
Controle do capim-pé-de-galinha deu um salto na pós-emergência do milho: estudos de campo indicam que misturar moléculas como tembotriona, atrazina e glufosinato pode elevar a eficácia química a até 99%, reduzindo drasticamente a competição que tira até 80% da produtividade.
Associação de herbicidas eleva a eficácia a quase 100%
Levantamento conduzido por Pengo et al. (2025) comparou diferentes pós-emergentes em híbridos de milho. As combinações tembotriona + atrazina e atrazina + mesotriona superaram 99% de controle do Eleusine indica 28 dias após a aplicação. Individualmente, glufosinato de amônio, terbutilazina e tembotriona também mostraram bom desempenho, enquanto atrazina ou nicossulfurom isolados ficaram aquém do desejado.
O resultado confirma a importância de usar mecanismos de ação distintos na mesma calda, tática que limita a seleção de plantas resistentes e amplia o espectro de ação sobre folhas estreitas.
Por que o tema merece atenção imediata
Capim-pé-de-galinha está disseminado em todo o país e já exibe resistência múltipla a ACCase e EPSPs, incluindo glifosato, segundo o International Survey of Herbicide Resistant Weeds (2026). Quando a resistência se instala, o leque de soluções encolhe e o custo operacional sobe. Por isso, produtores que ainda lidam com populações suscetíveis têm uma janela estratégica para adotar misturas e preservar a eficiência dos produtos.
Além do risco agronômico, a pressão dessa gramínea sobre o milho é alta: crescimento rápido, ciclo curto e porte similar ao da cultura dificultam o manejo mecânico e aumentam a matocompetição em fases críticas de definição de rendimento.
O que muda na prática na pulverização pós-emergente
Para alcançar o controle acima de 95%, o posicionamento deve considerar:
- Estádio da planta daninha: preferencialmente até 3 folhas ativas.
- Biotecnologia do híbrido: tolerância a glufosinato ou glifosato orienta a escolha da mistura.
- Dose correta de cada princípio ativo, respeitando bula e intervalo de segurança.
- Volume de calda mínimo de 150 L/ha para cobertura homogênea das folhas estreitas.
Em áreas com histórico de resistência, a recomendação é alternar mecanismos de ação a cada safra e evitar repetir o mesmo grupo químico em culturas sucessivas, prática reforçada em guias técnicos da Embrapa.
Resistência continua no radar do produtor
Populações resistentes a cialofop-butil, fenoxaprop-etil, setoxidim e glifosato já foram confirmadas no Brasil. Caso suspeite de falha de controle, o primeiro passo é enviar amostras para diagnóstico e adotar manejo integrado, combinando pré-emergentes, rotação de culturas e controle mecânico pontual.
Manter registros de produtos aplicados, doses e datas ajuda a rastrear possíveis escapes e ajustar o protocolo a tempo de evitar perdas maiores.
Avanços nas misturas pós-emergentes mostram que o capim-pé-de-galinha pode ser contido sem elevar demais o custo. Para acompanhar outras soluções de proteção inteligente da lavoura, visite nossa editoria em Proteção no Campo.
Crédito da imagem: Maissoja Fonte: Maissoja
