Conservação de araucária vale até R$ 36 mil a produtor em SP
Conservação de araucária agora pode reforçar o caixa do produtor rural em Cunha (SP): o governo paulista lançou um edital que paga até R$ 36 mil por propriedade e R$ 250 mil para organizações que ajudarem a proteger a espécie símbolo da Mata Atlântica, hoje ameaçada de extinção.
Pagamento por serviços ambientais mira pinheiro nativo em risco
O incentivo faz parte do edital “Pagamento por Serviços Ambientais Araucária” (PSA Araucária), publicado pela Fundação Florestal, ligada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística. O mecanismo recompensa quem mantém áreas com Araucaria angustifolia, produtora do tradicional pinhão, cuja distribuição pode encolher drasticamente até 2070 devido a extração ilegal e mudanças climáticas, segundo estudos citados pela pasta.
Produtores pessoa física podem receber até R$ 36 mil ao longo do contrato, enquanto associações, cooperativas, ONGs e outras entidades dedicadas à conservação podem pleitear até R$ 250 mil. A verba cobre ações como manejo, vigilância, cercamento, reposição florestal e monitoramento, transformando a preservação em fonte direta de renda.
De acordo com a Fundação Florestal, o modelo de pagamento por serviços ambientais reconhece o valor econômico da floresta em pé e cria um estímulo real para frear o avanço do desmatamento na Serra do Mar e no Vale do Paraíba.
Regras, documentos e prazo de inscrição: o que muda na prática
Para aderir, o produtor precisa:
- preencher a manifestação de interesse disponível no edital;
- apresentar RG, CPF e conta corrente no Banco do Brasil;
- comprovar vínculo com a área por escritura, matrícula ou contrato de posse;
- ter o imóvel inscrito no Cadastro Ambiental Rural (CAR);
- apresentar declaração da gestão do Parque Estadual da Serra do Mar (PESM) – Núcleo Cunha;
- incluir o Cadastro da Agricultura Familiar (CAF), quando houver.
No caso das organizações, é obrigatório comprovar existência mínima de 12 meses antes da publicação do edital e atuação ativa na conservação da araucária na região. A seleção prioriza projetos que combinem conservação com geração de renda local, reforçando a sustentabilidade econômica de agricultores familiares.
Na prática, o pagamento pode financiar desde a manutenção de árvores adultas até o plantio de mudas, criação de corredores ecológicos e ações educativas. O produtor que já trabalha com pinhão ganha fôlego para manter a floresta produtiva; quem atua em outras cadeias, como leite ou hortaliças, pode diversificar receita e reduzir riscos climáticos graças ao sombreamento e à proteção de nascentes proporcionada pelo pinheiro.
Com inscrições abertas, o PSA Araucária sinaliza nova oportunidade de receita verde e auxilia a preservar um patrimônio genético estratégico para o agronegócio do Sul e Sudeste. Para acompanhar outras iniciativas que criam valor ambiental e econômico no campo, continue navegando em nossa página principal.
Crédito da imagem: Globorural.globo Fonte: Globorural.globo
