Consecana-SP: Unica e Orplana fecham acordo e atualizam regras
Consecana-SP acaba de ganhar um pacote de mudanças negociado entre a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) e a Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (Orplana). O memorando, assinado em 3 de abril, promete atualizar a fórmula de remuneração da matéria-prima e modernizar a governança do principal referencial de preços da cana em São Paulo — um tema que impacta diretamente o caixa de usinas e fornecedores já nesta safra.
O que muda no modelo de remuneração
Segundo o comunicado conjunto, as entidades irão implementar de forma “integral” a revisão técnico-econômica conduzida pelo FGV Agro. Na prática, isso significa que os critérios até então usados para calcular o valor da cana serão recalibrados para refletir custos, eficiência industrial e variações de mercado com maior precisão. Para o produtor, o ajuste tende a oferecer previsibilidade e reduzir disputas contratuais sobre o pagamento por tonelada.
A revisão estava prevista para entrar em vigor na safra 2024/25, mas divergências sobre o escopo atrasaram o cronograma em mais de um ano. O novo acordo encerra o impasse e cria uma janela para que as alterações passem a valer ainda nesta temporada, evitando que negociações individuais se arrastem sem referência clara.
Governança reforçada e participação equiparada
Outro ponto sensível foi a estrutura de decisão dentro do Consecana-SP. Unica e Orplana anunciaram regras “mais estáveis” de governança, com ênfase na consolidação da participação dos fornecedores de cana. O objetivo é equilibrar o peso de indústria e produtores nas deliberações, dando maior transparência às metodologias usadas pelo conselho.
A assinatura ocorre poucos dias depois da eleição do novo conselho deliberativo da Orplana, agora liderado por Roberto Cestari. A mudança de comando facilitou a aproximação com a Unica e destravou o entendimento final. A celebração oficial do acordo está marcada para 16 de abril, durante o Cana Summit em Ribeirão Preto.
Impacto imediato na operação do campo
Com a revisão homologada, produtores podem ajustar rapidamente seu planejamento financeiro, calibrar investimentos em tratos culturais e estimar margens de venda com base em um referencial renovado. Já para as usinas, a atualização reduz o risco de litígios sobre precificação, melhora a previsibilidade de fluxo de caixa e facilita a captação de crédito ligada à produção de etanol e açúcar.
O alinhamento também ocorre em um momento de expectativa de produção firme de cana no Centro-Sul. Dados recentes da Conab indicam que o clima tem favorecido a lavoura paulista, amplificando a relevância de um sistema de remuneração atualizado para garantir competitividade em todo o ciclo.
Com a nova etapa do Consecana-SP, o setor sinaliza que busca maior eficiência na relação entre campo e indústria, reforçando a tendência de profissionalização de contratos e transparência de custos. Para acompanhar outras análises sobre rentabilidade, custos e gestão econômica da lavoura, visite nossa editoria de Lavoura Digital e Econômica.
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