Conflito no Oriente Médio eleva custos do agro brasileiro
Conflito no Oriente Médio trava rotas vitais de petróleo e fertilizantes, empurra o preço do diesel para perto de R$ 7,30 em Santa Catarina e já adiciona até 10 % ao frete rodoviário, alterando o cálculo de custo de praticamente todas as culturas.
Diesel mais caro aperta a logística e as margens
Com o Brent rondando US$ 100 o barril, analistas projetam reajuste de 20 % no diesel brasileiro. No campo catarinense, o litro saltou de R$ 6,14 no fim de 2025 para R$ 7,33 em março de 2026, segundo a Epagri/Cepa. Esse avanço elevou a participação do combustível no Custo Operacional Efetivo (COE) de culturas mecanizadas, como soja, milho, arroz e maçã.
O impacto se amplia na logística: o transporte rodoviário entre o Oeste catarinense e portos do litoral representa até 70 % do custo de exportação de grãos e carnes. Um repasse médio de 10 % no frete, combinado ao dólar alto, reduz margem de tradings e cooperativas exatamente no auge da safra.
Fertilizantes sobem e exigem replanejamento de manejo
A restrição no Estreito de Ormuz limita o fluxo de Gás Natural Liquefeito, insumo-chave dos nitrogenados. A FAO alerta que os preços globais de fertilizantes podem ficar 15 % a 20 % mais altos neste semestre. O Banco Mundial já registrou alta de 26,2 % num único mês, com a ureia avançando até 46 % nos portos.
A pressão ganhou reforço da China, que restringiu embarques de adubos, e da Rússia, que suspendeu temporariamente vendas de nitrato de amônio. Em Santa Catarina, o Porto de São Francisco do Sul importou 2,75 milhões t de fertilizantes em 2025 (6 % do total nacional) e mantém ritmo forte, mas paga prêmios de seguro mais altos e enfrenta menor oferta de navios.
Com margens comprimidas, produtores já discutem reduzir a dose de adubação ou antecipar compras para travar preços. A adoção de agricultura de precisão e de softwares de recomendação nutricional ganha tração como forma de “fazer mais com menos” nitrogênio e fósforo.
O que observar nos próximos meses
1. Novo reajuste de diesel poderá ocorrer se o barril ultrapassar US$ 105.
2. Amplitude de alta nos fertilizantes dependerá do escalar ou não das tensões no Golfo Pérsico.
3. Produtores devem checar contratos de frete e rediscutir cláusulas de combustível para evitar surpresas de caixa.
Na prática, a combinação de energia cara e insumos voláteis exige planejamento financeiro mais detalhado, negociação antecipada com fornecedores e investimentos em eficiência de aplicação. Para aprofundar estratégias de redução de custos e ganho de rentabilidade no atual cenário, visite nossa editoria de lavoura digital e econômica.
Crédito da imagem: Maissoja Fonte: Maissoja
