Inovação Agro

Compras de fertilizantes perdem janela no 2º tri de 2026

Compras de fertilizantes que tradicionalmente ganham fôlego entre abril e junho devem enfrentar um cenário bem menos favorável em 2026. A nova previsão, detalhada no 35º Relatório Trimestral da StoneX, aponta que o conflito no Oriente Médio inverteu a “janela de oportunidade” do segundo trimestre, elevando preços, complicando a logística no Estreito de Ormuz e exigindo novas estratégias de aquisição para a safra brasileira de verão e a indiana Kharif.

Conflito muda sazonalidade e pressiona custos

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Em anos de estabilidade geopolítica, a demanda de Brasil e Índia costuma recuar no segundo trimestre, derrubando cotações globais. Em 2026, porém, a combinação de produção reduzida em países-chave, gargalos no principal corredor marítimo de fertilizantes do Golfo Pérsico e a disparada das cotações após episódios de tensão militar trocou o sinal de mercado. Segundo Tomás Pernías, analista da StoneX, a chance de encontrar valores realmente atrativos nesse período ficou “significativamente menor”.

Dados do relatório indicam que, desde o primeiro disparo de preços ligado ao conflito, a ureia FOB barges em Nova Orleans subiu 47%. Nos Estados Unidos, 70% dos produtores consultados pelo Farm Bureau declararam não ter caixa para comprar todo o volume necessário de nutrientes. A pesquisa também mostrou forte disparidade regional: apenas 19% dos agricultores do Sul fizeram compras antecipadas, contra 30% no Nordeste.

Nitrogenados: volatilidade extrema e poder de compra fragilizado

A reabertura parcial do Estreito de Ormuz trouxe algum alívio logístico, mas a StoneX alerta que os fluxos dificilmente voltarão aos níveis pré-crise a curto prazo. Mesmo com possíveis correções pontuais, atrasos, contratos represados e falta de navios devem sustentar preços de ureia, nitrato e solução de nitrato de amônio. A vulnerabilidade financeira do produtor, principalmente nos EUA e em parte do Mercosul, aumenta o risco de redução nas doses de nitrogênio — movimento que pode comprometer produtividade se o clima não ajudar.

Fosfatos e potássio mantêm oferta curta e preços firmes

No segmento fosfatado, o quadro é ainda mais rígido. Dificuldades de embarque no Oriente Médio, paradas de manutenção no Marrocos e incertezas sobre exportações chinesas travam a oferta. Custos de amônia e enxofre também seguem altos, limitando qualquer folga de preço. A StoneX não descarta destruição de demanda ao longo de 2026, sobretudo quando margens agrícolas já estão pressionadas.

O cloreto de potássio (KCl) apresenta condição de compra um pouco menos restritiva, mas ainda longe do ideal. Fretes e seguros mais caros, além do risco geopolítico permanente, podem levar produtores a priorizar nitrogenados e fosfatados, postergando o potássio. As tratativas de contrato de longo prazo da Índia, referência mundial de preço, permanecem no radar e podem restringir ainda mais a janela de barganha.

Para acompanhamento detalhado das cotações internacionais de adubos, a FAO mantém um monitor de preços atualizado, reforçando a importância de decisões baseadas em dados.

Gestão de risco vira regra, não exceção

Com valor dos nutrientes em alta e poder de compra em queda, produtores devem decidir entre absorver custos mais altos ou reduzir aplicações, assumindo perda potencial de rendimento. A StoneX destaca que a gestão de risco e o planejamento financeiro ganharam status estratégico para manter a sustentabilidade do negócio em 2026. Quem precisar de volume no segundo semestre terá cada vez menos margem para adiar negociações, mesmo com preços pouco convidativos.

Para entender como ajustar o orçamento da próxima safra em meio a insumos caros e margens apertadas, confira nossa editoria de lavoura digital e econômica e fique por dentro de outras estratégias de eficiência.

Crédito da imagem: Maissoja Fonte: Maissoja

Francisco devruk

Francisco

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