Lavoura Digital

Colheita de soja chega a 92% e clima acende alerta no milho

Colheita de soja da safra 2025/26 já alcança 92% da área cultivada no Brasil, segundo a AgRural. O avanço de 5 pontos em uma semana confirma ritmo firme, mas a atenção dos produtores agora se volta ao clima, decisivo para a safrinha de milho que entra em fase crítica.

Soja quase finalizada, mas ligeiramente atrás do ano passado

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O levantamento divulgado nesta segunda-feira (20) mostra que a operação de campo superou os 87% registrados na semana anterior, mas permanece dois pontos abaixo do índice de 94% visto no mesmo período da safra passada. De acordo com a AgRural, o processo segue dentro da normalidade, sem grandes perdas relatadas, graças às janelas climáticas relativamente estáveis durante abril.

A conclusão rápida do trabalho reduz custos com máquinas paradas e libera áreas para a instalação de coberturas ou cultivos de inverno em regiões que trabalham com rotação intensiva. Em estados como Mato Grosso do Sul e Goiás, onde havia frentes de umidade irregulares até março, a regularidade recente contribuiu para acelerar as colheitadeiras.

Para efeito de comparação, a Conab estima que o Brasil alcance produção próxima de 157 milhões de toneladas de soja nesta temporada, um dado que, se confirmado, consolida novo patamar histórico e reforça o peso da oleaginosa na pauta de exportações do país.

Safrinha de milho em enchimento de grãos e dependente do clima

Enquanto a soja sai das lavouras, o milho segunda safra ganha protagonismo. No Mato Grosso, principal polo do cereal, boa parte das plantações está na fase de enchimento de grãos. A consultoria destaca que o desenvolvimento “se mantém positivo” e, até o momento, alimenta expectativa de safra cheia.

O ponto de atenção, porém, é a previsão de “pouca chuva e temperaturas acima da média” para parte do Centro-Sul nos próximos dias. Cenário de calor prolongado pode acelerar a evapotranspiração e comprometer a formação final dos grãos, sobretudo em talhões sem irrigação. Produtores já monitoram mapas climáticos e ajustam manejos de cobertura e aplicações foliares para minimizar perdas.

Na prática, a manutenção de umidade adequada nas próximas três semanas será determinante para confirmar ou revisar o potencial produtivo do milho. Se o calor persistir sem precipitações regulares, especialistas não descartam cortes nas projeções atuais, o que teria impacto direto na oferta interna, no preço do farelo para confinamento e na formulação de rações.

O detalhe mais relevante é que a pressão climática chega justamente quando as negociações antecipadas de milho começam a ganhar ritmo, ampliando a incerteza sobre volumes e preços nos portos. Para acompanhar análises que unem produtividade, custo e gestão econômica da lavoura, siga nossa editoria dedicada em lavoura digital e econômica.

Crédito da imagem: Forbes Fonte: Forbes

Francisco devruk

Francisco

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