Classificação óptica de batatas corta mão de obra na fazenda
Classificação óptica de batatas ganha espaço no pós-colheita: a holandesa Jensma Agro instalou dois classificadores Tolsma-Grisnich Optica Q no armazém e já reduziu em até seis pessoas a equipe de triagem, mantendo a linha ligada até 18h30 (Brasília UTC-3) para acompanhar o novo ritmo.
Visão computacional assume o trabalho pesado
Cada Optica Q processa aproximadamente 15 t/h, o que equivale ao trabalho de três operadores humanos. Com as duas unidades em série ou em paralelo, a fazenda alcança 30 t/h de batatas-semente avaliadas por câmeras que separam fluxo comercial, batatas para ração animal e torrões de terra em saídas distintas. O resultado é uma triagem mais limpa que praticamente elimina torrões na esteira de inspeção manual.
Segundo Hessel Jensma, que deve integrar a sociedade da família, os sensores identificam clods, batatas partidas e tubérculos com danos visíveis. Quando necessário, o lote pode passar novamente pelos classificadores para reforçar a qualidade, algo que antes exigia convocar toda a equipe durante horas de trabalho intensivo.
Retorno rápido acelera adoção dentro dos armazéns
O investimento ficou na casa de “centenas de milhares de euros”, mas foi facilitado pelos programas fiscais MIA/Vamil de eficiência energética, comuns na União Europeia. Com preços altos na safra 2023/24 e economia direta de mão de obra, a expectativa é recuperar o capital em poucos anos — cenário que explica por que a automação baseada em visão tem avançado mais rápido em armazéns do que no campo aberto.
Outro diferencial da configuração é a montagem elevada, sobre uma plataforma acima da sala de inspeção. A adaptação dispensou a construção de um novo galpão, reduziu custos de obra civil e manteve o fluxo de 25 t/h da máquina de graduação já existente, agora o gargalo da linha.
Em estudo publicado pela Embrapa Batata (embrapa.br/batata), automação na separação pós-colheita pode elevar em até 20 % a produtividade operacional, tendência confirmada pelo caso holandês.
Ajustes finos ainda em desenvolvimento
Hessel observa que lesões leves na extremidade dos tubérculos ou pequenos orifícios ainda desafiam as câmeras posicionadas no topo. Se o parâmetro fica muito rígido, o descarte cresce; se relaxa demais, defeitos passam para a inspeção manual. Atualizações de software prometem calibragem mais precisa nas próximas safras, reforçadas por suporte técnico considerado ágil pelo produtor.
Com 223 ha de batata-semente em 580 ha totais, a família projeta ampliar a área destinada ao segmento, aproveitando a capacidade extra liberada pela linha modernizada. Para não comprometer ergonomia, planejam elevar em 50 cm a plataforma dos Optica Q e instalar uma correia adicional para evacuar pó e resíduos, solucionando o único ponto de difícil acesso identificado até agora.
Automação que reduz custos, mantém a qualidade e libera mão de obra é sinal claro de como a visão computacional pode transformar o pós-colheita no agro. Siga nossa editoria de automação agrícola e IA para ver outras soluções que estão mudando a rotina no campo.
Crédito da imagem: Futurefarming Fonte: Futurefarming
